
Quem é Gil Paraibano? O que existe por trás da figura simples, da fala direta e do jeito aparentemente comum de um homem que, ao longo de décadas, construiu uma trajetória empresarial e política de grande dimensão? E por que Gil, como é chamado pelos mais próximos, desperta respeito e atenção quando fala?
Talvez a resposta esteja justamente naquilo que ele mais repete quando conta a própria história: trabalho.
Gil Paraibano costuma dizer que começou a trabalhar ainda na adolescência. O trabalho virou lema, hábito e método de vida. Foi trabalhando, poupando e reinvestindo o que conseguiu acumular que construiu sua trajetória como comerciante e empresário. Sua formação escolar, registrada atualmente como ensino fundamental completo, não seguiu o caminho acadêmico tradicional. Sua experiência, porém, foi construída essencialmente na prática, no comércio, nos negócios e na capacidade de identificar oportunidades.
É nesse ponto que aparece uma das características mais marcantes da personalidade de Gil: a habilidade para negociar. Mais do que acumular patrimônio, ele construiu relações, fez contatos e aprendeu a ouvir. E ouvir, para ele, sempre pareceu ser parte importante do negócio.
A história de sua chegada ao Piauí começa ainda nos anos 1960. Segundo o relato que faz de sua trajetória, Gil ouviu falar que Picos era uma terra promissora, favorecida pela posição estratégica e pelo movimento proporcionado por suas rodovias. Guardou a informação, conversou com o irmão mais velho e decidiu apostar no município. Em 1969, mudou-se para o Piauí e passou a construir ali sua vida pessoal e profissional.
A partir daí, a história ganhou novas dimensões. Comércio, transporte, construção civil, loteamentos, postos de combustíveis, concessionárias e agropecuária fizeram parte da trajetória empresarial atribuída a Gil Paraibano. Entre os empreendimentos associados ao seu nome estão o Posto Maringá, a Serraria Medeiros, a Empresa de Transporte Picoense, a Construtora Marquesa, loteamentos residenciais e as concessionárias Fiat Guaribas e Ford Marquesa.
Não se trata, portanto, apenas da história de um homem que ganhou dinheiro. É também a história de alguém que construiu uma rede de relações e negócios ao longo de décadas, especialmente em Picos e na região. A própria Assembleia Legislativa do Piauí, ao conceder a Gil o Título de Cidadão Piauiense em abril de 2026, destacou sua trajetória empresarial e política e sua atuação de longa duração no Estado.
A política apareceu depois. Gil resistiu inicialmente, mas acabou entrando na vida pública. E entrou justamente em Picos, cidade que passou a ocupar lugar central em sua história. Foi eleito prefeito em 2004, reeleito em 2008 e voltou a vencer a eleição municipal em 2020. A sequência de três mandatos é confirmada por registros eleitorais e institucionais.
Na política, Gil levou consigo uma característica desenvolvida nos negócios: a obsessão pela conta. É um homem que gosta de números, de equilíbrio financeiro e de cobrança. Seu discurso sobre administração pública costuma passar por austeridade e controle das despesas. Uma de suas frases mais conhecidas resume, de maneira bem-humorada e ao mesmo tempo dura, sua visão sobre a prefeitura: para impor uma gestão austera, o prefeito deveria entrar no prédio com um porrete para afastar os corruptos.
É uma imagem que combina com o personagem. Gil costuma falar de maneira direta, sem recorrer a grandes construções retóricas. Sua linguagem é simples, objetiva e muito próxima da experiência cotidiana de quem passou décadas contando dinheiro, fechando negócios, avaliando riscos e tomando decisões.
Em 2018, seu nome passou a integrar também uma chapa majoritária estadual. Gil foi eleito segundo suplente do senador Ciro Nogueira, pelo Progressistas. O próprio Senado Federal registra atualmente Gil Marques de Medeiros como segundo suplente da chapa eleita naquele ano.
Depois de deixar a Prefeitura de Picos ao final de 2024, Gil Paraibano voltou ao centro da disputa política em 2026. Está registrado como candidato a deputado federal pelo Piauí, pelo Progressistas, com o número 1100. O registro aparece como deferido em bases eleitorais atualizadas com dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Aos 79 anos, Gil chega a essa nova etapa carregando uma história que mistura comércio, empreendedorismo, agropecuária e política. Uma vida construída longe dos grandes centros de poder e muito próxima da realidade de Picos, cidade onde consolidou negócios, família, relações e carreira pública.
Talvez seja essa a chave para compreender quem é Gil Paraibano. Um homem cuja história não começou nos palanques, nem nos gabinetes. Começou no trabalho.
Primeiro, aprendeu a trabalhar. Depois, a poupar. Em seguida, a investir. Aprendeu a negociar e, sobretudo, a ouvir. Foi assim que construiu negócios. Foi assim que construiu relações. E foi assim que chegou à política.
Gil Marques de Medeiros, o Gil Paraibano, tornou-se uma figura inseparável da história recente de Picos. Sua trajetória empresarial e os três mandatos à frente da Prefeitura fizeram dele um personagem conhecido no município e em outras regiões do Piauí. Agora, leva essa experiência para uma nova disputa eleitoral, desta vez em busca de uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Sua história, no entanto, continua sendo contada da maneira que ele próprio parece preferir: sem muita literatura, com poucas palavras e muito trabalho.
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