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Política VINGANÇA

Lula vai dar o troco no deputado Júlio César?

Presidente desembarca no Piauí, mas bastidores apontam que não gravará apoio a Júlio César, e o fantasma do impeachment de Dilma volta ao centro da política

08/09/2026 às 17h47
Por: Douglas Ferreira
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Júlio César declarou publicamente seu voto pelo impeachment de Dilma em 2016 - Foto: Reprodução
Júlio César declarou publicamente seu voto pelo impeachment de Dilma em 2016 - Foto: Reprodução

Lula, Dilma e a hora do troco?

Lula nunca fez questão de esconder uma característica marcante de sua trajetória política: ele não costuma perdoar o que considera uma traição. E, para muitos petistas, o voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, permanece como uma das maiores rupturas da história recente do partido. Nesta quarta-feira, quando o presidente desembarca em Teresina, completam-se 10 anos e 9 dias daquele afastamento que mudou os rumos da política brasileira.

É nesse contexto que ganha força uma informação dos bastidores de Brasília: Lula participará dos atos políticos no Piauí, mas não gravará um vídeo oficial pedindo votos para o candidato ao Senado Júlio César, apesar da insistência de aliados e do governador Rafael Fonteles. Fotos, cumprimentos e vídeos de palco devem acontecer. Mas o material eleitoral, aquele que vale ouro numa campanha, ficaria de fora.

A versão que circula entre interlocutores do Planalto é clara: não haveria relação com qualquer entendimento envolvendo Ciro Nogueira. O motivo seria outro, muito mais antigo e carregado de simbolismo político: o voto de Júlio César a favor do impeachment de Dilma. Na leitura de setores do PT, aquela decisão nunca foi esquecida.

Se essa informação se confirmar, o impacto será inevitável. Durante anos, Júlio cultivou a imagem de aliado próximo ao presidente, chegando a ser chamado nos bastidores de “Julinho do Lula”. Mas política também vive de gestos, e talvez nenhum gesto seja tão eloquente quanto uma ausência. Se Lula não gravar o pedido de votos justamente quando Júlio mais precisa, a narrativa construída ao longo dos anos sofrerá um duro abalo.

Afinal, Lula é conhecido por fazer política olhando para frente, mas sem apagar a memória. E, se traição é um prato que se come frio, os bastidores sugerem que o de Júlio César pode ter esperado uma década para chegar à mesa.

Resta saber se a quarta-feira confirmará a tese da vingança ou desmentirá um dos rumores mais explosivos desta campanha. Porque, na política, às vezes o silêncio fala mais alto do que qualquer discurso.

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