
Estar à frente das pesquisas eleitorais é importante. Mas, para quem ocupa a Presidência e tenta permanecer no cargo por mais quatro anos, existe uma pesquisa ainda mais sensível: a avaliação que o eleitor faz da própria gestão.
E é justamente aí que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra um sinal de alerta.
A nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (17), mostra que 48% dos entrevistados desaprovam o trabalho de Lula, contra 47% que o aprovam. Outros 5% não souberam ou não responderam. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, portanto, tecnicamente há empate.
O dado, portanto, não autoriza dizer que Lula esteja formalmente “reprovado” pela maioria dos eleitores. Mas revela algo politicamente relevante: sua aprovação não supera sua desaprovação e o eleitorado permanece profundamente dividido.
E há um segundo indicador talvez ainda mais incômodo para o governo.
Quando os entrevistados são convidados a classificar a administração, 42% consideram o governo ruim ou péssimo, enquanto apenas 34% o classificam como ótimo ou bom. Outros 25% avaliam a gestão como regular.
Essa diferença é mais expressiva do que aquela registrada na aprovação pessoal do presidente.
É preciso olhar, portanto, para além do número de intenção de voto.
Lula aparece com 41% no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno entre os dois, o presidente registra 47%, contra 44% do adversário. Também aqui, a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos, configurando empate técnico.
A fotografia eleitoral é, portanto, curiosa.
Lula continua competitivo eleitoralmente, mas não consegue transformar essa liderança numérica em aprovação consolidada de seu governo.
E essa talvez seja uma das questões centrais da eleição de 2026.
Há uma diferença importante entre votar em um candidato e aprovar seu governo.
Um eleitor pode preferir Lula diante das alternativas disponíveis e, ao mesmo tempo, considerar ruim ou apenas regular a administração federal. Da mesma forma, pode desaprovar o governo e ainda assim não estar disposto a votar no adversário.
É exatamente por isso que uma eleição não pode ser analisada por uma única pergunta de pesquisa.
O eleitor avalia economia, renda, emprego, inflação, segurança, saúde, corrupção, programas sociais, percepção sobre o futuro e também a própria imagem dos candidatos.
No caso de Lula, o dado mais preocupante para a campanha talvez seja a dificuldade de transformar sua liderança eleitoral em uma percepção majoritariamente positiva de sua administração.
Quarenta e dois por cento dizendo que o governo é ruim ou péssimo é um número politicamente pesado para quem tenta convencer o eleitor a conceder mais quatro anos de governo.
Mas esse quadro é reversível?
Sim. Pesquisas eleitorais são fotografias de um momento, não sentenças definitivas.

A própria série recente do BTG/Nexus demonstra oscilações. Na pesquisa anterior, divulgada em 10 de agosto, Lula tinha 46% de aprovação e 49% de desaprovação. Agora, passou a 47% e 48%, respectivamente. A variação está dentro da margem de erro.
Ou seja, não houve uma mudança estrutural comprovada de uma semana para outra.
O problema é justamente a estabilidade de um eleitorado dividido.
Desde maio, diferentes rodadas do BTG/Nexus vêm registrando aprovação e desaprovação muito próximas, frequentemente dentro da margem de erro. Em julho, por exemplo, houve levantamento com 49% de desaprovação e 47% de aprovação.
Isso sugere que Lula entra na campanha com um eleitorado fiel, mas também com um contingente expressivo de brasileiros que não aprovam seu governo.
E existe outro elemento que torna a disputa ainda mais delicada.
A pesquisa mostra Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas também aponta que a rejeição de Lula chega a 48%, enquanto a de Flávio alcança 50%.
Não há, portanto, um candidato politicamente confortável.
O cenário é de elevada polarização, competição apertada e grande espaço para mudanças ao longo da campanha.
É justamente nesse ambiente que a avaliação do governo pode ganhar peso.
Se Lula conseguir melhorar a percepção sobre a economia, reduzir áreas de insatisfação e apresentar resultados que sejam percebidos pelo eleitor até a eleição, sua aprovação pode reagir.
Se, ao contrário, a avaliação negativa permanecer superior à positiva e os problemas que hoje incomodam o eleitor continuarem ocupando o centro do debate, a oposição terá um argumento poderoso: o eleitor pode até considerar Lula competitivo, mas não necessariamente considera seu governo aprovado.
E essa diferença é fundamental.
Porque uma coisa é perguntar:
“Em quem você pretende votar?”
Outra, muito diferente, é perguntar:
“Você aprova o governo que esse candidato está oferecendo?”
Na nova BTG/Nexus, as duas respostas não contam exatamente a mesma história.
Lula lidera numericamente a corrida, mas começa a campanha tentando convencer quase metade do eleitorado de que seu governo merece continuar.
E, para quem busca um quarto mandato, essa talvez seja uma das batalhas mais importantes de 2026.
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