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Política GAFE HISTÓRICA

Filho de ministro de Lula, candidato a deputado no Piauí, grava vídeo afirmando que Parnaíba já foi capital

Gafe histórica de Vinícius Dias, filho do ministro Wellington Dias, provoca questionamentos sobre o conhecimento básico da história do próprio Estado e sobre a preparação de sua campanha

16/08/2026 às 18h26 Atualizada em 16/08/2026 às 19h18
Por: Douglas Ferreira
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Dr. Vinícius atuando no vídeo, parece que faltou a aula de história e começou a campanha com o pé esquerdo - Foto: Reprodução/Imagem editada por IA
Dr. Vinícius atuando no vídeo, parece que faltou a aula de história e começou a campanha com o pé esquerdo - Foto: Reprodução/Imagem editada por IA

O candidato a deputado estadual Vinícius Dias, do PT, filho do ministro Wellington Dias, parece ter estreado sua campanha à Assembleia Legislativa do Piauí com um tropeço que vai muito além da política. Começou a campanha literalmente com o "pé esquerdo". Ao gravar um vídeo em homenagem aos 182 anos de Parnaíba, o candidato afirmou que a cidade litorânea “já foi capital” do Piauí. A declaração, porém, não corresponde à história oficial do Estado.

E não se trata de uma questão de interpretação política, muito menos de opinião. Antes de Teresina, que neste domingo, 16 de agosto, completa 174 anos como capital piauiense, o Estado teve duas capitais: Oeiras e Vila da Mocha, denominação histórica ligada à antiga capital. Parnaíba jamais exerceu oficialmente a condição de capital do Piauí.

A pergunta, portanto, é inevitável: como um candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa, alguém que pretende representar os piauienses e legislar sobre os destinos do Estado, comete um erro tão elementar sobre a história de sua própria terra?

Vinícius é médico, tem formação superior e, até onde se sabe, construiu sua trajetória profissional antes de ingressar na disputa eleitoral. Justamente por isso, o episódio chama ainda mais atenção. A política exige discurso, presença pública e capacidade de comunicação, mas também exige conhecimento mínimo sobre a realidade que se pretende representar.

O vídeo, publicado originalmente nas redes sociais, acabou sendo apagado. O problema é que, na era digital, apagar uma publicação não significa apagar o episódio. E lógico, a oposição logo recorreu à "N. S. do Printe" e resgatou o vídeo. Trechos da gravação foram preservados por internautas e passaram a circular em redes sociais e aplicativos de mensagens.

A situação também levanta outra questão: onde estava a assessoria do candidato? Um vídeo produzido para marcar o aniversário de uma das cidades mais importantes do Piauí passa, em tese, por roteiro, gravação, revisão e publicação. Se foi uma fala improvisada, o erro é do candidato. Se havia preparação, a responsabilidade pelo conteúdo precisa ser melhor compreendida.

Também seria legítimo perguntar se Vinícius gravou o vídeo de memória ou se recebeu alguma orientação para fazê-lo. Afinal, uma campanha eleitoral minimamente profissional não deveria permitir que um candidato ao Legislativo estadual fosse ao público atribuir a uma cidade uma condição histórica que ela nunca teve.

E há uma diferença importante entre cometer um erro e tentar justificá-lo. Se houve equívoco, o caminho mais simples e politicamente mais responsável é reconhecer a falha, explicar o que aconteceu e pedir desculpas. Transformar um erro factual em uma batalha de versões ou recorrer à conhecida justificativa de que uma fala teria sido “tirada de contexto” apenas aumentaria a dimensão do problema, caso a gravação integral confirme a afirmação.

Até o momento, não houve manifestação pública conhecida do candidato ou de sua assessoria explicando o episódio.

O caso pode parecer pequeno diante dos grandes temas de uma eleição. Não é. Para quem pretende ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa, conhecer a história, a geografia e a realidade do Estado que pretende representar deveria ser o ponto de partida, não um detalhe secundário.

Parnaíba merece todas as homenagens pelos seus 182 anos. É uma das cidades mais importantes da história econômica, cultural e política do Piauí. Mas não precisa ganhar uma história que não é sua para ser valorizada.

E Vinícius Dias, como qualquer candidato, tem direito ao erro. O que o eleitor também tem é o direito de cobrar explicações.

Confira o trecho do vídeo onde Dr. Vinícius Dias derrapa na largada ao cometer uma gafe histórica:

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