
A notícia de um pai vendendo o próprio filho para sustentar o vício em apostas online, vinda da Indonésia, poderia muito bem ser de qualquer cidade brasileira. Afinal, o vício em jogos eletrônicos ilegais está enraizado em todas as camadas sociais, principalmente entre os mais pobres e vulneráveis. Não é só no outro lado do mundo que a degradação familiar e moral avança devido a esses jogos; no Brasil, os efeitos são igualmente devastadores.
Em 2024, o Banco Central alertou que beneficiários do Bolsa Família gastaram cerca de R$ 10 bilhões por mês em apostas online. O que antes era um programa destinado a garantir a sobrevivência das famílias, agora financia a destruição de lares através de um vício tão perigoso quanto qualquer outra droga. Apostadores, muitos deles desesperados pela chance de mudar de vida, acabam jogando o pouco que têm em plataformas que prometem lucro fácil, mas entregam ruína.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, expressou preocupação com a regulamentação desses jogos, temendo um aumento na inadimplência. Mas ele mesmo reconhece que "olhar bets" não é função do órgão, o que só reforça a falta de preparo do governo em lidar com esse câncer social. Enquanto isso, influencers são presos por promoverem essas práticas ilícitas, mas ainda se perguntam o porquê da punição.
O caso do homem indonésio que vendeu seu filho de 11 meses para sustentar suas apostas é um exemplo extremo, mas não tão distante da realidade brasileira. Se aqui ainda não chegamos a tal extremo, não falta muito. O vício nas bets, que promete fortuna, apenas destrói, por dentro e por fora, o que há de mais precioso: a família. Tal como o vício em drogas, o vício nas apostas devora os laços familiares, minando os valores cristãos e humanos mais básicos.
Tragicamente, o governo brasileiro parece muito mais preocupado com a arrecadação que esse mercado pode gerar do que com a desintegração das famílias. A regulamentação das bets não é vista como uma forma de contenção, mas como uma nova fonte de lucro, enquanto a moralidade e o bem-estar social ficam em segundo plano. Assim, a pergunta permanece: até quando vamos permitir que o vício nos jogos destrua nossas famílias e valores, enquanto o governo fecha os olhos e conta os lucros?
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