
A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para abertura do terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O novo procedimento investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo a empresa 3Structure IT Ltda., ampliando a série de apurações que têm como foco a atuação do empresário em supostas articulações junto ao governo federal.
Caso o pedido seja aceito pelo STF, Lulinha passará a responder simultaneamente a três inquéritos distintos, todos relacionados à suspeita de utilização de sua influência política para beneficiar interesses privados.
Na semana passada, o ministro do STF André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar supostos crimes de tráfico de influência e corrupção passiva em negociações ligadas ao Ministério da Saúde. Segundo a Polícia Federal, o objetivo seria apurar eventual favorecimento ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado na Operação Sem Desconto.
O segundo inquérito, também autorizado por André Mendonça, apura suspeitas de atuação de Lulinha em negociações envolvendo a Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados de programas sociais do governo federal. A investigação busca esclarecer uma possível articulação entre empresários do setor de tecnologia, Roberta Luchsinger e o chamado Careca do INSS para obtenção de contratos públicos.
Agora, a Polícia Federal pede a abertura de uma terceira investigação, desta vez relacionada à empresa 3Structure IT, sediada em Florianópolis. Segundo os investigadores, há indícios de que Lulinha teria utilizado o nome e a influência do presidente da República para favorecer empresas parceiras em negociações com órgãos públicos.
A 3Structure IT atua no setor de tecnologia da informação e mantém contratos vigentes com o governo federal que somam aproximadamente R$ 55,7 milhões. Entre eles está um contrato firmado com o Centro Integrado de Telemática do Exército para fornecimento de soluções de tecnologia e armazenamento de dados.
As suspeitas levantadas pela Polícia Federal surgiram durante a análise de documentos e dados obtidos na Operação Sem Desconto, investigação que apura um suposto esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
De acordo com a PF, os elementos reunidos até o momento indicariam que Lulinha poderia ter utilizado sua proximidade com integrantes do governo para facilitar interesses empresariais em diferentes áreas, incluindo negociações envolvendo tecnologia e a comercialização de produtos à base de canabidiol.
A defesa de Lulinha rejeita todas as acusações. Em nota, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que seu cliente é alvo de perseguição por ser filho do presidente da República e classificou as investigações como uma "pesca probatória". Segundo a defesa, não existem elementos concretos que justifiquem a abertura dos inquéritos, sustentando que os procedimentos representam uma tentativa de criminalização sem provas.
Até o momento, não há condenação nem denúncia aceita pela Justiça contra Lulinha. Os três casos permanecem em fase de investigação e caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre o novo pedido apresentado pela Polícia Federal, bem como acompanhar o andamento das apurações já autorizadas.
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