
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou novas diligências para apurar um possível vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga o senador Jaques Wagner (PT/BA) por suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A principal preocupação do relator não é apenas o conteúdo da investigação, mas a possibilidade de que o senador tenha sido alertado previamente sobre a ação da Polícia Federal, o que poderia comprometer a coleta de provas.
Segundo a decisão, Mendonça autorizou a quebra do sigilo de dados telefônicos e o monitoramento da localização do aparelho celular utilizado por Jaques Wagner durante dez dias. O objetivo foi verificar se houve movimentações atípicas ou contatos que indiquem eventual vazamento da operação.
A suspeita surgiu após um fato considerado incomum pelo ministro. No mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou os pedidos de medidas cautelares no STF, em 9 de junho de 2026, o gabinete de André Mendonça recebeu uma solicitação de audiência feita por um dos investigados. O detalhe que chamou a atenção é que o pedido ocorreu antes mesmo da distribuição formal de parte das representações ao relator.
Para Mendonça, a coincidência temporal reforça a necessidade de investigar se informações protegidas por sigilo foram repassadas indevidamente, inclusive dentro da própria estrutura responsável pela investigação.
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido vantagem indevida por intermédio de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, supostamente vinculado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
As investigações também apontam mensagens e registros que indicariam encontros entre Vorcaro e o senador, além da disponibilização de aeronave privada e diálogos nos quais Wagner teria sido mencionado como possível intermediário para transmitir recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essas suspeitas são objeto de apuração e ainda não representam conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.
Outro fato destacado nos autos ocorreu um dia após a deflagração da operação. Segundo a investigação, Jaques Wagner tentou vender um terreno avaliado em aproximadamente R$ 15 milhões na Região Metropolitana de Salvador, mas a transação foi impedida em razão de uma ordem judicial de bloqueio de bens.
Na decisão, André Mendonça justificou que o monitoramento do celular era necessário para evitar medidas ostensivas que pudessem alertar o investigado, preservando a eficácia da investigação e reduzindo o risco de destruição de provas, troca de aparelhos telefônicos ou combinação de versões entre os envolvidos.
A investigação segue em andamento e tramita no Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não há condenação contra Jaques Wagner, que permanece sob a garantia constitucional da presunção de inocência enquanto os fatos são apurados.
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