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Justiça COMPLIANCE ZERO

Mendonça investiga possível vazamento de operação da PF contra Jaques Wagner

Ministro do STF autorizou monitoramento do celular do senador após identificar indícios de que informações sigilosas sobre a Operação Compliance Zero possam ter sido antecipadas ao investigado

31/07/2026 às 10h27
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações DP
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Jacques Wagner e Lula da Silva - Foto: Reprodução
Jacques Wagner e Lula da Silva - Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou novas diligências para apurar um possível vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga o senador Jaques Wagner (PT/BA) por suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A principal preocupação do relator não é apenas o conteúdo da investigação, mas a possibilidade de que o senador tenha sido alertado previamente sobre a ação da Polícia Federal, o que poderia comprometer a coleta de provas.

Segundo a decisão, Mendonça autorizou a quebra do sigilo de dados telefônicos e o monitoramento da localização do aparelho celular utilizado por Jaques Wagner durante dez dias. O objetivo foi verificar se houve movimentações atípicas ou contatos que indiquem eventual vazamento da operação.

A suspeita surgiu após um fato considerado incomum pelo ministro. No mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou os pedidos de medidas cautelares no STF, em 9 de junho de 2026, o gabinete de André Mendonça recebeu uma solicitação de audiência feita por um dos investigados. O detalhe que chamou a atenção é que o pedido ocorreu antes mesmo da distribuição formal de parte das representações ao relator.

Para Mendonça, a coincidência temporal reforça a necessidade de investigar se informações protegidas por sigilo foram repassadas indevidamente, inclusive dentro da própria estrutura responsável pela investigação.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido vantagem indevida por intermédio de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, supostamente vinculado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

As investigações também apontam mensagens e registros que indicariam encontros entre Vorcaro e o senador, além da disponibilização de aeronave privada e diálogos nos quais Wagner teria sido mencionado como possível intermediário para transmitir recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essas suspeitas são objeto de apuração e ainda não representam conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.

Outro fato destacado nos autos ocorreu um dia após a deflagração da operação. Segundo a investigação, Jaques Wagner tentou vender um terreno avaliado em aproximadamente R$ 15 milhões na Região Metropolitana de Salvador, mas a transação foi impedida em razão de uma ordem judicial de bloqueio de bens.

Na decisão, André Mendonça justificou que o monitoramento do celular era necessário para evitar medidas ostensivas que pudessem alertar o investigado, preservando a eficácia da investigação e reduzindo o risco de destruição de provas, troca de aparelhos telefônicos ou combinação de versões entre os envolvidos.

A investigação segue em andamento e tramita no Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não há condenação contra Jaques Wagner, que permanece sob a garantia constitucional da presunção de inocência enquanto os fatos são apurados.

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