
Parece contraditório, não é? Não. Não parece. É contraditório. Ou não. Isso seria de fato a esquerda? Ou melhor, o governo de esquerda? E por que tanta contradição assim?
A esquerda não defende a mulher? Não é contra agressor de mulher? Contra a violência doméstica? No discurso, sim. Na prática, parece que não. Parece não, não o é.
E por quê? Ora, a esquerda, os partidos de esquerda no Congresso Nacional, são adeptos daquela máxima que diz: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Sim. A esquerda frequentemente é alvo de críticas por não apoiar projetos que endurecem as penas para criminosos, inclusive em propostas relacionadas ao aumento da punição para estupradores e agressores de mulheres. Para os críticos, isso evidencia uma incoerência entre o discurso de defesa das mulheres e a atuação parlamentar.
Se o combate à violência contra a mulher é uma prioridade, não seria natural votar favoravelmente ao endurecimento das penas contra quem agride, estupra e mata mulheres? Para muitos, seria. Mas essa convergência nem sempre acontece nas votações do Congresso, o que alimenta o debate sobre a coerência entre discurso e prática.
Os números também colocam pressão sobre governos estaduais comandados por partidos de esquerda. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026) mostra que Estados governados por esse campo político aparecem entre os que registraram os maiores índices de crescimento da violência letal contra mulheres.
O Amapá apresentou aumento de 347,7% na taxa de feminicídios e de 198,5% nos homicídios de mulheres. O Rio Grande do Norte, governado pela petista Fátima Bezerra, registrou crescimento de 61,8% nos homicídios de mulheres. Já o Ceará, administrado por Elmano de Freitas (PT), lidera a taxa de homicídios femininos por 100 mil habitantes, com 6,2, praticamente o dobro da média nacional.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026), com dados referentes a 2025, o Piauí também apresenta um cenário preocupante.
Foram registrados 37 feminicídios em 2025. O Estado alcançou uma taxa de aproximadamente 2,1 feminicídios por 100 mil mulheres, ocupando o 5º lugar no ranking nacional das maiores taxas de feminicídio entre os Estados brasileiros.
O levantamento revela ainda que o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica. A taxa nacional chegou a 1,4 feminicídio por 100 mil mulheres, o equivalente a uma média de 4,3 mulheres assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres.
No caso específico do Piauí, dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que 22 dos 37 feminicídios (59,5%) aconteceram dentro das residências, evidenciando o ambiente doméstico como principal cenário da violência. Outro dado alarmante é que 29 vítimas (78,4%) nunca haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor, enquanto Teresina concentrou nove casos, o maior número entre os municípios piauienses.
Os dados reforçam uma discussão inevitável: políticas públicas eficientes passam pela prevenção, proteção das vítimas, fortalecimento da rede de atendimento, rapidez das medidas protetivas, investigação eficiente e também pelo debate sobre punições proporcionais aos crimes cometidos.
A crítica feita pelos opositores da esquerda é justamente essa: enquanto o discurso enfatiza a defesa das mulheres, a atuação política no Legislativo nem sempre acompanha essa narrativa quando o tema é o endurecimento das penas para criminosos que praticam violência de gênero.
Os números não mentem. E os números exigem respostas concretas, muito além dos discursos, das campanhas publicitárias e dos slogans políticos. Afinal, quando uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher, o que está em jogo não é ideologia, mas a capacidade do Estado de proteger a vida.
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