
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, alegando que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais e prejudiciais às empresas norte-americanas. A medida passa a valer em 22 de julho.
Apesar da repercussão, o tarifaço não atinge todas as exportações brasileiras. Uma extensa lista de produtos estratégicos ficou de fora da sobretaxa, entre eles café, carne bovina, peixe, laranja e minerais de terras-raras, reduzindo significativamente o impacto sobre alguns dos principais itens da pauta exportadora brasileira.
O governo norte-americano baseou sua decisão na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo utilizado para investigar práticas consideradas discriminatórias contra empresas americanas. Entre as críticas estão a política para plataformas digitais, o sistema de pagamentos Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e ações relacionadas ao desmatamento.
A Casa Branca também elevou o tom político. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo Lula não negociou de boa-fé e responsabilizou diretamente o presidente brasileiro pelo fracasso das negociações comerciais.
O Palácio do Planalto reagiu imediatamente. Em nota oficial, classificou a medida como unilateral, contestou os argumentos americanos e destacou que, nos últimos quinze anos, os próprios Estados Unidos acumularam superávit comercial de mais de US$ 424 bilhões na relação bilateral, afirmando que não há justificativa econômica para as novas tarifas.
O governo brasileiro anunciou que utilizará a Lei da Reciprocidade, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando contestar a decisão no âmbito internacional.
Outro ponto importante é que a disputa vai além da economia. Integrantes do governo Lula avaliam que a decisão possui forte componente político, especialmente diante da aproximação entre integrantes da administração Trump e lideranças da oposição brasileira durante o processo de consulta realizado nos Estados Unidos.
Também preocupa o fato de que esta pode não ser a única medida. Uma segunda investigação norte-americana ainda está em andamento e poderá resultar em uma nova tarifa de 12,5%, elevando a tributação total para até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros.
• A tarifa é de 25%, e não sobre todos os produtos brasileiros.
• Produtos importantes, como café, carne bovina, peixe, laranja e terras-raras, permanecem isentos.
• Empresas dos setores atingidos poderão perder competitividade no mercado americano.
• O Brasil promete responder com medidas equivalentes e recorrer à OMC.
• Uma nova investigação pode ampliar ainda mais as tarifas sobre alguns segmentos industriais.
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