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Rios da Amazônia se consolidam como nova rota da supermaconha ligada às dissidências das Farc

Parceria entre dissidências das Farc e facções brasileiras fortalece corredor do tráfico na fronteira amazônica e amplia os desafios da segurança pública na região

14/07/2026 às 08h55
Por: Douglas Ferreira
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Houve mudança de rotas mas a droga continua entrando no Brasil por via fluvial - Foto: Reprodução
Houve mudança de rotas mas a droga continua entrando no Brasil por via fluvial - Foto: Reprodução

A consolidação dos rios Japurá e Puruê como novas rotas do tráfico internacional revela uma mudança estratégica das organizações criminosas que atuam na Amazônia. Pressionadas pelo aumento da fiscalização em corredores tradicionais, as quadrilhas passaram a explorar a vasta malha hidrográfica amazônica para transportar drogas, especialmente a maconha de alta potência conhecida como skunk e creepy.

Segundo a reportagem, as investigações apontam para uma cooperação entre o Comando Vermelho (CV) e a Frente Carolina Ramírez, uma dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Essa parceria envolve logística, proteção de carregamentos, compartilhamento de informações e garantia de circulação pelas rotas fluviais, evidenciando um modelo de criminalidade transnacional cada vez mais sofisticado.

As Farc assinaram um acordo de paz com o governo colombiano em 2016, mas parte de seus integrantes rejeitou o processo de desmobilização e passou a integrar dissidências armadas que continuam atuando em atividades ilícitas, como o narcotráfico e a mineração ilegal. É importante destacar que, historicamente, as Farc participaram da criação do Foro de São Paulo, organização fundada em 1990 que reúne partidos e movimentos políticos de esquerda da América Latina. Após o acordo de paz, o partido político surgido da desmobilização das Farc passou a integrar o foro por vias políticas, enquanto as dissidências que permaneceram armadas continuaram sendo organizações criminosas voltadas, entre outras atividades, ao narcotráfico.

Outro dado preocupante é o crescimento das apreensões. Enquanto em 2016 a Polícia Federal apreendeu cerca de 2,5 toneladas de maconha no Amazonas, somente nos primeiros cinco meses do ano citado na reportagem foram confiscadas mais de 23 toneladas. O aumento indica não apenas maior eficiência das forças de segurança, mas também a expansão do volume de drogas circulando pela região.

A reportagem também evidencia que o tráfico não atua isoladamente. Narcotráfico, garimpo ilegal, exploração de recursos naturais e outras atividades criminosas passaram a formar uma rede integrada de economias ilícitas, financiando-se mutuamente e ampliando a violência sobre comunidades indígenas e ribeirinhas.

O cenário demonstra que a Amazônia deixou de ser apenas uma área de passagem para se transformar em um importante centro logístico do crime organizado internacional. O enfrentamento desse problema exige cooperação permanente entre Brasil e Colômbia, fortalecimento da inteligência policial, presença efetiva do Estado nas fronteiras e combate simultâneo às diversas atividades ilegais que alimentam essas organizações criminosas.

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