
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao centro de uma nova controvérsia após declarações do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sugerirem que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas poderia abrir espaço para ações extraterritoriais e até mesmo para um eventual uso da força militar em território brasileiro.
A manifestação do chanceler passou a alimentar um intenso debate político e diplomático em Brasília, repercutindo também na imprensa nacional. Mas a pergunta que passou a ser feita é objetiva: existe, de fato, algum risco de invasão ou intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil?
A resposta oficial de Washington foi categórica.
Em declaração enviada ao portal Metrópoles, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou esse temor como "absurdo" e afirmou que a medida adotada pelo governo norte-americano não tem qualquer relação com uma eventual ação militar contra o Brasil.
Segundo a diplomacia norte-americana, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas integra uma política de combate ao crime organizado transnacional, especialmente porque essas facções passaram a atuar também em território dos Estados Unidos.
"Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas", afirmou o Departamento de Estado.
Os norte-americanos também rejeitaram a interpretação de que a medida possa servir de fundamento para qualquer intervenção militar em território brasileiro. Pelo contrário, alertaram que esse tipo de especulação pode acabar fortalecendo organizações criminosas ao desviar o foco do verdadeiro objetivo da política adotada: combater o financiamento, a lavagem de dinheiro e a atuação internacional dessas facções.
A controvérsia surgiu após um documento encaminhado pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados, assinado pelo ministro Mauro Vieira, afirmar que a classificação unilateral do PCC e do Comando Vermelho poderia produzir consequências nas áreas financeira, migratória e penal, além de mencionar a possibilidade de "uso da força militar dos EUA contra o território nacional".
O governo norte-americano, contudo, descartou completamente essa hipótese.
A classificação das facções foi oficializada em junho pelo governo Donald Trump como parte de uma estratégia de enfrentamento ao crime organizado internacional. Desde então, Washington também anunciou sanções contra brasileiros, empresas sediadas no Brasil e uma companhia portuguesa acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC.
Segundo as autoridades norte-americanas, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.
Assim, o debate passa a se concentrar menos na possibilidade de uma intervenção militar, hipótese rejeitada pelos próprios Estados Unidos, e mais nas consequências diplomáticas, financeiras e jurídicas da nova classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. A resposta oficial de Washington, ao menos até o momento, procura encerrar a polêmica ao afirmar que não existe qualquer plano de ação militar contra o Brasil e que o objetivo da medida é exclusivamente combater organizações criminosas que também atuam em solo norte-americano.
DEPARTAMENTO ESTADO EUA rebatem Itamaraty e descartam intervenção militar após classificação do PCC e CV como organizações terroristas
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