
Quatro meses depois de sua morte em um ataque aéreo atribuído aos Estados Unidos e a Israel, o antigo líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, recebeu neste domingo (5) uma das maiores homenagens públicas da história recente do país. Milhares de pessoas participaram das cerimônias realizadas no Grande Mosalla do Imã Khomeini, em Teerã, em um evento marcado por forte simbolismo político e religioso.
Durante as orações fúnebres, três dos filhos de Khamenei, Mostafa, Meysam e Masoud, permaneceram ao lado do caixão do pai, além dos caixões de outros familiares mortos no mesmo ataque. As imagens transmitidas pela televisão estatal mostraram um clima de forte comoção entre os parentes e autoridades presentes.
A principal ausência, no entanto, foi a de Mojtaba Khamenei, apontado como sucessor do pai na liderança suprema do Irã. Desde o ataque de 28 de fevereiro, ele não fez nenhuma aparição pública. Fontes próximas ao governo iraniano afirmam que Mojtaba sofreu graves ferimentos durante o bombardeio e permanece sob rígidas medidas de segurança, o que explicaria sua ausência nas cerimônias.
Além da dimensão religiosa, o funeral também representa uma demonstração de força do regime iraniano. O governo organizou uma semana inteira de procissões e homenagens que passarão por importantes cidades sagradas do Irã e do Iraque antes do sepultamento definitivo em Mashhad. A estratégia busca reforçar a legitimidade da República Islâmica após meses de guerra e instabilidade política.
Entre os presentes estavam o presidente Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, comandantes militares e diversas autoridades religiosas. As cerimônias também contaram com representantes estrangeiros e milhares de fiéis vindos de diferentes regiões do país.
Segundo autoridades iranianas, a rede de metrô de Teerã registrou milhões de deslocamentos em direção ao local das homenagens, refletindo a dimensão da mobilização organizada pelo Estado para o funeral do líder que governou o país por mais de três décadas.
O governo iraniano pretende transformar as cerimônias em um marco nacional de unidade diante das tensões provocadas pela guerra. Após Teerã, os restos mortais seguirão para Qom, Najaf, Kerbala e, por fim, Mashhad, onde ocorrerá o sepultamento.
A demora de mais de quatro meses foge à tradição islâmica, que recomenda o sepultamento poucas horas após a morte. Segundo autoridades iranianas e informações divulgadas pela imprensa internacional, a exceção ocorreu por quatro motivos principais:
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