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Os Correios zombam do País

Editorial do Jornal O Estado de São Paulo

15/07/2026 às 10h57 Atualizada em 15/07/2026 às 12h01
Por: Josenildo Melo Fonte: https://www.estadao.com.br/
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Foto: https://www.shutterstock.com
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Estatal suspende parcialmente plano de recuperação ao primeiro sinal de insatisfação dos empregados

A cada dia que passa, os Correios provam que não chegaram à situação de penúria em que se encontram por acidente. Diante da ameaça de greve por parte de seus funcionários, a primeira medida adotada pela empresa foi suspender a execução de seu plano de reestruturação. Estão adiadas, ao menos até o dia 31 de julho, medidas como o fechamento de agências e a retirada de uma gratificação paga aos funcionários que trabalham no atendimento ao público.

Seria cômico se não fosse trágico. O plano foi a contrapartida que os Correios tiveram de apresentar ao governo para conseguir um empréstimo de R$ 12 bilhões, no fim do ano passado, junto a cinco bancos, dois deles públicos. A empresa precisou registrar prejuízo por 14 trimestres consecutivos e encerrar 2025 com um rombo de R$ 8,5 bilhões para aceitar comprometer-se com a adoção de medidas de ajuste que, nem de longe, podem ser consideradas austeras, mas que já estão sob ameaça.

Entre dar aval a uma operação financeira questionável do ponto de vista econômico-financeiro e abrir espaço adicional no Orçamento Geral da União para fazer um aporte emergencial de recursos destinado a salvar os Correios, a opção do Ministério da Fazenda parece ter sido empurrar o problema com a barriga até segunda ordem — ou, pelo menos, até as eleições presidenciais de outubro.

Foi uma aposta de risco, pois os Correios não conseguem manter as aparências nem mesmo em circunstâncias absolutamente desfavoráveis. O aval não encerrou a pendenga, pois a empresa ainda precisa de mais um empréstimo entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões neste ano para manter as contas em dia. De que maneira a estatal espera convencer as instituições financeiras de que terá condições de arcar com uma nova operação dessa monta se abdica de parte do plano de reestruturação ao primeiro sinal de insatisfação de seus empregados?

A situação ficou ainda mais delicada para os servidores do Tesouro Nacional, que deram aval a uma operação que terá de ser paga pela União em caso de calote, ou seja, pelo contribuinte. Não por acaso, os gestores entraram na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), que questionou as premissas financeiras que embasaram o fluxo de caixa constante do plano de recuperação apresentado pelos Correios ao Ministério da Fazenda durante as negociações — e que acaba de ser parcialmente suspenso.

Se o primeiro empréstimo já gerou esse tipo de problema, como os servidores terão condições de autorizar um segundo para uma empresa que registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre deste ano? Se o fechamento de agências e a retirada da gratificação já foram suspensos sem que a greve sequer tenha começado, não se pode condenar quem imagine que o programa de demissão voluntária (PDV), a venda de imóveis ociosos e a reformulação do generoso plano de saúde dos funcionários também o serão caso a paralisação seja confirmada.

Qualquer empresa privada em situação semelhante já teria fechado as portas há muito tempo. Mas, se os Correios zombam do País, é porque têm a certeza de que o governo Lula dá respaldo a esses absurdos.

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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