
Lógico. É claro que existe vida além da política. A questão é: como ficar de fora ou à margem da participação política? Mas isso é complicado e pode dar problema? Quem disseminou essa ideia entre a população? Qual é a maior arma dos poderes? Não é a imposição do medo? Você pensa que tornar-se santo não é também, ser essencialmente, político? Caramba, já vai misturar política e religião novamente? Bento de Núrsia, fundador da Ordem Beneditina, não chegou a ser envenenado quando se tornou abade? Está vendo como a política está em todos os lugares? O conceito de política é deturpado não de agora, mas desde a queda de Adão. Mas não existem oásis políticos? Pela Copa do Mundo de Futebol não dá para perceber a importância da boa política? Vejam os países que estão se sobressaindo. Os nórdicos e os vikings não estão interligados? Veja além da Copa e tente pesquisar sobre cada país que chegou ou está chegando à final; verá algo surpreendente!
Quem foi mesmo o monge que quase foi envenenado? São Bento de Núrsia (480–547 d.C.) foi um monge italiano considerado o pai do monasticismo ocidental. Fundador da célebre Abadia de Monte Cassino, ele escreveu a Regra de São Bento, um guia de vida que equilibra oração e trabalho e que serviu de alicerce para a Ordem dos Beneditinos. Bento nasceu em Núrsia, na região da Úmbria, na Itália, em uma família nobre.
Foi enviado a Roma para estudar, mas, chocado com a vida mundana e imoral da cidade, retirou-se para viver como eremita em uma gruta em Subiaco. Sua fama de santidade atraiu muitos discípulos, o que o levou a organizar comunidades e fundar diversos mosteiros. Sua principal contribuição histórica foi a elaboração da Regra de São Bento, um manual que reestruturou a vida comunitária dos monges, baseando-se no lema ora et labora ("ora e trabalha"). Esse documento não apenas moldou a vida monástica em toda a Europa, mas também preservou o conhecimento clássico e impulsionou a cultura ocidental após a queda do Império Romano. Devido a esse impacto, ele é venerado pela Igreja Católica como Padroeiro da Europa. Mas por que tentaram envenenar Bento?
A tentativa de envenenamento de São Bento ocorreu porque sua disciplina rigorosa e seu modelo de vida austero enfureceram os monges do mosteiro onde havia sido nomeado superior. Acostumados a uma rotina desregrada, eles tentaram matá-lo para se livrar de suas exigências morais. A história relata que a primeira tentativa ocorreu quando lhe ofereceram uma taça de vinho envenenada. Como era seu costume abençoar os alimentos, São Bento fez o sinal da cruz sobre o cálice, que se quebrou em pedaços.
Posteriormente, um padre invejoso também tentou matá-lo, envenenando um pão. Sabia desse detalhe? E qual o sentido de relatá-lo? Que existe vida além do mundo político estrutural. Mas é bom saber que, mesmo em comunidades ou recintos onde se espera que não vigorem contextualizações políticas, isso é algo quase impossível. Faz parte da natureza humana o ato de fazer política. Agora, o que deve ser levado em conta é a coragem e a forma de fazê-la. Thomas Morus contrariou até mesmo o rei e renunciou a uma vida na qual nada lhe poderia faltar em termos terrenos. Isso, sim, é pensar no bem maior e no real sentido da vida: fazer o bem sem levar em conta a quem o está fazendo.
Vida além da política? Existe? Possivelmente. A reflexão é no sentido de que os bons devem prevalecer no mundo político. E não existe essa de que todos são iguais. Muito menos deve prevalecer a máxima de apenas executar o bem maior ou o mal menor. Cristo Jesus, Deus, não fez exercícios políticos, como muitos historiadores tentam lhe imputar. E qual o motivo? Foi bem claro: "O meu reino não é deste mundo!"
Em suma, muito cuidado com o sentido interpretativo dos fatos e acontecimentos. O relativismo tende a prevalecer no mundo moderno e contemporâneo, mas é sempre bom levar em conta que ninguém é meramente comprável, como o atual sistema político não apenas executa, mas tenta imputar a tudo e a todos essa máxima. Nem tudo é como parece. Forças invisíveis e visíveis vencerão esta batalha!
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