Segunda, 13 de Julho de 2026
35°

Tempo limpo

Teresina, PI

Brasil ALIMENTAÇÃO

Após seca e queimadas, preço da picanha aumenta 43,5% e café sobe 14%

Os preços de produtos essenciais disparam enquanto a crise climática afeta a produção alimentar no Brasil

04/10/2024 às 06h59 Atualizada em 06/10/2024 às 22h58
Por: Wagner Albuquerque Fonte: Neogrid
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As mudanças climáticas têm gerado impactos em várias áreas, e o agronegócio brasileiro não é uma exceção. A atual crise de seca e queimadas que afeta o país está intensificando essa situação, resultando em um aumento considerável nos preços de produtos essenciais. Um levantamento exclusivo da Neogrid, aponta que itens como café, feijão, carnes e leite se tornaram mais caros devido à deterioração da situação climática.

O aumento no número de incêndios florestais se intensificou em agosto, e a pesquisa revela que, em um intervalo de seis semanas, os preços das carnes bovinas foram os mais impactados. Um exemplo alarmante é o preço da picanha, que disparou 43,5%, passando de R$ 59,62 na primeira semana de agosto para R$ 85,56 na terceira semana de setembro. Anna Fercher, head de Customer Success e Insights da Neogrid, explica que essa alta está relacionada aos prejuízos na produção de alimentos, já afetada pelas secas prolongadas.

Além da carne, o leite também registrou um aumento significativo de 9,6%, subindo de R$ 6,02 para R$ 6,60 por litro. Esses aumentos nos preços refletem as dificuldades enfrentadas pela agropecuária, que teve que migrar para a criação de gado em confinamento. Esse processo envolve custos elevados, o que, por sua vez, impacta diretamente o preço da carne e dos produtos lácteos.

De acordo com dados do MapBiomas, as queimadas consumiram uma área equivalente ao estado da Paraíba apenas em agosto, com a maioria dos incêndios ocorrendo em pastagens destinadas à pecuária. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também reportou que cerca de 230 mil hectares de lavouras de cana-de-açúcar, representando 75% da produção no interior de São Paulo, foram afetados pelas queimadas. O preço do açúcar refinado aumentou 5,9% nesse período.

Os produtos como café e feijão enfrentaram aumentos ainda mais expressivos entre agosto e setembro, com seus subprodutos subindo até 14,4% e 22,1%, respectivamente. Fercher ressalta que os produtores estão lidando com perdas significativas na colheita e na área disponível para plantio, o que resulta em custos de produção mais elevados e em uma oferta reduzida de alimentos nas prateleiras. Com a continuidade das queimadas e da seca, a expectativa é que os custos de produção sigam em alta, levando a novos repasses para o consumidor final.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários