
O caso de Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, mobiliza equipes de resgate, autoridades e milhares de pessoas nas redes sociais desde o desaparecimento ocorrido no último domingo, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. A jovem foi encontrada viva após passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar. Já o amigo que estava com ela, Dheorge Bernardino, de 28 anos, continua desaparecido nas águas do Atlântico.
Segundo as informações apuradas até agora, Bruna e Dheorge participavam de uma confraternização em uma lancha quando decidiram sair para um passeio de moto aquática no fim da tarde de domingo. De acordo com o relato da própria sobrevivente, os dois haviam acabado de se conhecer na embarcação e deixaram o local juntos diante de testemunhas que estavam na lancha.
Pouco tempo depois, a moto aquática começou a apresentar problemas. Conforme Bruna explicou em depoimento e posteriormente nas redes sociais, o veículo começou a ser invadido pela água e a afundar pela parte traseira. Com a forte correnteza empurrando os dois para o mar aberto, tornou-se impossível permanecer segurando a embarcação.
A jovem afirma que permaneceu ao lado de Dheorge até a madrugada de terça-feira. Segundo ela, o rapaz permaneceu usando colete salva-vidas durante todo o tempo e em nenhum momento ela o viu afundar. Depois disso, já extremamente debilitada, Bruna acabou ficando sozinha em meio ao oceano.
O resgate aconteceu na terça-feira, quando o pescador Alex Quintino dos Santos encontrou Bruna próxima à Ilha de Búzios, distante cerca de 16 quilômetros da costa. A jovem estava em estado de exaustão, desidratada e bastante fragilizada fisicamente. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital Municipal de Ilhabela.
Especialistas apontam que uma combinação de fatores ajudou Bruna a sobreviver tanto tempo em alto-mar. Meteorologistas destacam que as condições climáticas e a temperatura relativamente menos agressiva da água reduziram os riscos imediatos de hipotermia severa. Já bombeiros ressaltam que a resistência emocional e psicológica foi determinante para mantê-la consciente durante quase dois dias à deriva.
Após receber alta hospitalar, Bruna utilizou as redes sociais para rebater especulações sobre o caso. Ela afirmou que já prestou todos os esclarecimentos à polícia e pediu respeito enquanto se recupera física e emocionalmente da tragédia. Também declarou que ainda não conseguiu conversar com a família de Dheorge devido ao estado delicado em que se encontra.
Enquanto isso, as buscas pelo jovem desaparecido continuam. A Marinha informou ter encontrado um colete salva-vidas próximo da região do desaparecimento, objeto que pode pertencer a Dheorge Bernardino. Equipes do Corpo de Bombeiros, pescadores e embarcações seguem atuando na tentativa de localizar o rapaz.
O episódio chama atenção para os riscos de passeios náuticos em mar aberto, especialmente diante de mudanças repentinas nas condições do oceano. Também levanta questionamentos sobre segurança, equipamentos e monitoramento em atividades recreativas realizadas no litoral brasileiro.
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