
A Polícia Federal voltou a sacudir os bastidores do poder no Rio de Janeiro. Desta vez, o alvo é o ex-governador Cláudio Castro, atingido pela Operação Sem Refino, uma ofensiva que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e evasão de recursos para o exterior envolvendo o setor de combustíveis. O caso tem cheiro de gasolina, fumaça de refinaria e dimensão de escândalo financeiro de filme policial.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e cumpre 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Também foram expedidas sete medidas de afastamento de funções públicas. É como se a PF tivesse aberto o capô de um motor aparentemente sofisticado e encontrado engrenagens funcionando à base de dinheiro oculto, empresas interligadas e operações suspeitas.
O principal nome do setor privado é o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit. Contra ele, a Justiça determinou prisão preventiva. Como mora em Miami, nos Estados Unidos, a Polícia Federal acionou a Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional usado para localizar foragidos. A situação lembra aqueles grandes casos de colarinho branco em que o investigado atravessa fronteiras enquanto os investigadores tentam seguir o rastro do dinheiro.
Mas afinal, qual seria o papel de Cláudio Castro nesse enredo?
Até o momento, a PF não divulgou detalhes específicos sobre a conduta atribuída diretamente ao ex-governador. O que se sabe é que ele foi alvo de busca e apreensão dentro de uma investigação que apura possíveis conexões políticas, administrativas e fiscais envolvendo o conglomerado econômico investigado. Ou seja, a operação ainda está numa fase de coleta de provas, rastreamento de patrimônio, documentos, contratos, computadores, celulares e movimentações financeiras.
Entre os investigados também estão o desembargador Guaraci de Campos Vianna, integrante do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do Estado Renan Saad. O alcance da operação mostra que a investigação não mira apenas empresários. Ela tenta entender se houve uma engrenagem institucional funcionando para proteger, facilitar ou blindar operações consideradas fraudulentas.
A PF aponta suspeitas de:
• fraude fiscal
• ocultação patrimonial
• lavagem de dinheiro
• evasão de recursos ao exterior
• inconsistências em operações de refinaria
• uso de estrutura societária para esconder patrimônio
O bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros mostra a dimensão colossal da investigação. É um valor tão gigantesco que supera o orçamento anual de muitos Estados brasileiros. A mensagem da PF é clara: seguir o dinheiro continua sendo a forma mais eficiente de desmontar estruturas suspeitas.
Outro ponto que chama atenção é o fato de a operação ocorrer no contexto da chamada ADPF das Favelas, ação que tramita no STF e discute segurança pública no Rio. Isso sugere que as investigações podem dialogar com estruturas de poder, influência econômica e impacto direto sobre a dinâmica do estado.
E o que foi apreendido?
Até agora, a PF não detalhou oficialmente todos os materiais recolhidos nas buscas. Em operações dessa natureza, normalmente são apreendidos celulares, computadores, documentos fiscais, contratos, registros bancários e dispositivos eletrônicos capazes de mapear fluxos financeiros e comunicações internas.
O caso ainda está em desenvolvimento, mas o impacto político já é inevitável. O Rio de Janeiro parece viver um looping permanente de operações policiais envolvendo governadores, empresários e figuras do alto escalão. Trocam-se os nomes, mudam-se os escândalos, mas o roteiro continua parecido: poder político, cifras bilionárias, suspeitas de corrupção e uma máquina pública frequentemente cercada por investigações.
Nota de Cláudio Castro
“A defesa do ex-governador do Rio Cláudio Castro afirma que foi surpreendida com a operação de hoje [sexta] e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, Castro está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura.
Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes.
É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo montante se aproxima de R$ 1 bilhão.
Atualmente, o parcelamento se encontra suspenso por força de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agravo de instrumento.
Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) ingressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado.
Cláudio colaborou com a busca, que ocorreu sem qualquer intercorrência, e nada de relevante foi apreendido”.




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