
A nova ofensiva da Polícia Federal contra operações ligadas ao Banco Master amplia ainda mais a pressão sobre um caso que começa a ganhar dimensão política, financeira e institucional. Batizada de Operação Off-Balance, a ação investiga suspeitas de gestão temerária envolvendo recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, em São Paulo.
O foco da investigação está em aplicações financeiras consideradas de alto risco feitas com dinheiro da previdência municipal. Segundo a PF, cerca de R$ 107 milhões foram investidos em Letras Financeiras emitidas por bancos privados, incluindo aproximadamente R$ 87 milhões ligados ao Banco Master.
Os principais alvos da operação são ex-dirigentes do instituto previdenciário responsáveis por autorizar as aplicações. Entre os investigados estão Luiz Henrique Miranda Teixeira, então diretor-executivo; Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro; e Marcelo Ribas de Oliveira, responsável pela área de benefícios.
A Justiça Federal autorizou seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar, Boituva e São Paulo. Além disso, foram determinadas medidas cautelares como afastamento de funções públicas e indisponibilidade de bens dos investigados.
A operação foi autorizada pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo e busca esclarecer se houve negligência técnica, aplicações incompatíveis com o perfil previdenciário do fundo ou eventuais irregularidades na destinação dos recursos.
Embora o ex-prefeito de Cajamar, Danilo Joan, não seja alvo da operação, o caso tem forte repercussão política porque os investimentos ocorreram durante sua gestão. Na época, cabia ao prefeito indicar os dirigentes do instituto responsável pelas aplicações financeiras.
O caso também ganhou dimensão nacional porque surge poucos dias após outra investigação envolvendo o Banco Master: a Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. Nessa investigação, o senador Ciro Nogueira apareceu citado após a PF apontar suspeitas de supostos repasses mensais atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador nega qualquer irregularidade.
Nos bastidores de Brasília, o avanço simultâneo das investigações aumenta o peso político do caso. O Banco Master, que antes orbitava apenas o setor financeiro, agora passa a ocupar espaço central em operações que misturam fundos públicos, previdência municipal, relações políticas e suspeitas de gestão de risco.
A investigação ainda está em fase inicial, mas já levanta questionamentos delicados sobre governança, fiscalização de recursos previdenciários e a relação entre agentes políticos e instituições financeiras privadas.
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