
O Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria e recolocou em vigor regras que mudam o cálculo de penas no país. A decisão foi tomada com ampla maioria na Câmara e no Senado, em um movimento que expõe a tensão entre governo e Parlamento. A medida pode beneficiar diretamente condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Passo 1: o que mudou na lei
A nova regra altera a forma de calcular penas quando há mais de um crime no mesmo contexto. Em vez de somar as condenações, a Justiça deverá aplicar apenas a pena do crime mais grave, com um acréscimo. Além disso, o texto prevê redução de pena em casos de atuação em multidão, desde que não haja liderança ou financiamento dos atos. Na prática, isso diminui o tempo total de prisão em vários casos.
Passo 2: o que acontece agora
Após a derrubada do veto, o texto segue para promulgação e passa a valer como lei. No entanto, a aplicação não será automática. Cada caso precisará ser reavaliado. O Supremo Tribunal Federal será responsável por recalcular as penas, mas só poderá agir quando for provocado por advogados, Ministério Público ou pelos próprios ministros. Além disso, a nova lei ainda pode ser contestada na própria Corte, que decidirá se ela é constitucional.
Passo 3: impacto direto em Bolsonaro e outros condenados
No caso de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos, a mudança pode antecipar a progressão de regime. Antes, a previsão era de mudança apenas em 2033. Agora, especialistas apontam que isso pode ocorrer entre dois e quatro anos. O mesmo raciocínio vale para centenas de condenados, que poderão pedir revisão das penas. Apesar disso, tudo dependerá da análise individual de cada processo, o que significa que os efeitos reais devem aparecer de forma gradual.
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