
É hoje. A tão aguardada sabatina de Jorge Messias no Senado. Um rito que, em tese, deveria testar preparo técnico, independência e compromisso institucional. Mas que, na prática, levanta uma pergunta inevitável: o quanto ainda há de imprevisível nesse processo?
A expectativa não está apenas na aprovação, que muitos já tratam como certa, mas no conteúdo das respostas. O que dirá Messias diante dos temas mais sensíveis? Qual será o tom? Qual será o limite?
O roteiro começa cedo, às 9h, na CCJ. Ali, diante dos senadores, o indicado precisará alcançar ao menos 41 votos. Número que, nos bastidores, parece mais um detalhe formal do que um obstáculo real.
O verdadeiro teste será outro: o equilíbrio discursivo.
Messias deverá ser provocado sobre a crise de credibilidade do STF. Um terreno delicado. Criticar demais pode fechar portas dentro da Corte. Defender demais pode soar como complacência diante de senadores críticos. A tendência, segundo interlocutores, é de uma fala calculada, sem ataques nominais, mas com acenos à necessidade de aperfeiçoamento institucional, como a defesa de um eventual código de ética.
Outro ponto sensível será o aborto. Evangélico, Messias deve assumir posição contrária, alinhando-se ao discurso pró-vida. Ao mesmo tempo, tentará sustentar uma linha jurídica: a de que mudanças nessa área devem partir do Congresso, e não de resoluções administrativas.
E há ainda o passado recente. Como advogado-geral da União, qual foi seu papel no enfrentamento à corrupção? Atuou com rigor ou com conveniência? Essa é uma pergunta que não depende apenas da resposta, mas da percepção política de quem escuta.
A sabatina também deve ter momentos de tensão calculada. Senadores que não buscam respostas, mas cortes para redes sociais. Perguntas feitas mais para repercutir do que para esclarecer. Um ambiente em que não basta saber, é preciso saber como dizer.
Messias, por sua vez, aposta no controle emocional. Diz estar preparado. Mas a questão central permanece: é possível atravessar esse campo minado sem desagradar ninguém?
No fim, a sensação predominante em Brasília é clara: ele passará. Há quem diga mais: passará com folga, talvez até com louvor.
Se isso se confirmar, a sabatina cumprirá mais uma vez seu papel ambíguo: um teste que existe, mas cujo resultado raramente surpreende.
Resta saber se, no meio desse roteiro previsível, haverá espaço para algo diferente, ou se tudo não passará de mais um ato de uma peça já conhecida.
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