
O governo Lula 3 já não causa surpresa. O que antes era escândalo virou rotina. E não é por acaso que cresce a percepção de que o Congresso Nacional funciona como um grande balcão de negócios. Um balcão que ganha óleo novo sempre que aparece um projeto de interesse do Planalto ou quando uma indicação estratégica precisa passar sem sustos.
Coincidência ou estratégia, às vésperas da votação do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, o governo abriu a torneira. Em apenas duas semanas, mais de meio bilhão de reais em emendas parlamentares foram liberados. No acumulado do ano, o valor já ultrapassa R$ 2,5 bilhões. É dinheiro que corre rápido quando o interesse é urgente. A engrenagem gira suave, como máquina bem ajustada.
No papel, negociar faz parte do jogo democrático. O problema é quando negociação começa a parecer sinônimo de troca. E troca pesada. Nas gestões petistas, esse verbo ganhou musculatura. Ficou mais robusto, mais direto, menos disfarçado. O que antes era criticado como prática condenável, hoje aparece com nova embalagem. Mudou o discurso, mas o método parece familiar.
Os números ajudam a entender o tamanho da engrenagem. São R$ 1,35 bilhão em emendas individuais e mais R$ 1,17 bilhão em emendas de bancada já pagos. E a previsão é ainda mais ambiciosa. O governo projeta liberar até R$ 13 bilhões este ano, dentro de um orçamento que pode chegar a R$ 50 bilhões. É como abrir uma comporta sabendo que a correnteza precisa chegar em algum lugar.
No fim, a pergunta que fica é simples. Trata-se de governabilidade ou de dependência? Porque quando o sistema precisa ser constantemente alimentado com bilhões para funcionar, o risco é deixar de ser política e passar a ser engrenagem financeira. E quando isso acontece, a linha entre articulação e negociação excessiva começa a desaparecer.
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