
Se em 2022 o voto feminino foi o combustível que empurrou Lula até o Planalto, agora começa a parecer um tanque furado. A mesma força que decidiu a eleição dá sinais claros de desgaste. E não é impressão. É número, é pesquisa, é tendência.
Levantamentos citados pela revista Veja mostram que o apoio das mulheres ao governo vem escorrendo pelas mãos. A aprovação caiu e a reprovação subiu de forma consistente. Em poucos meses, a rejeição feminina ao governo saltou cerca de dez pontos percentuais, um movimento que não acontece por acaso, acontece quando a expectativa encontra a realidade e não gosta do que vê .
E aqui está o ponto central. A eleição de 2022 foi muito mais sobre rejeição a Bolsonaro do que sobre entusiasmo com Lula. As mulheres votaram contra um estilo, contra falas, contra postura. Lula entrou como alternativa. Agora, sem esse contraponto direto, sobra o que realmente importa, o desempenho do governo. E é aí que o encanto começa a perder força.
A própria Veja aponta que esse eleitorado, que ainda é majoritariamente favorável ao presidente, já começa a se afastar de forma gradual . É como um relacionamento que não acaba de uma vez, mas vai esfriando. Primeiro diminui o entusiasmo, depois vem a crítica, e por fim a dúvida.
E dúvida é veneno em eleição. Porque mulher não muda de voto de forma impulsiva, muda avaliando. E quando começa a avaliar, pesa tudo. Economia, custo de vida, promessas não cumpridas, sensação de melhora ou piora no dia a dia. Em 2022, a esperança venceu. Em 2026, a cobrança entrou em campo.
Outro dado relevante ajuda a entender essa virada silenciosa. Hoje, mulheres já demonstram níveis de rejeição mais elevados ou, no mínimo, menos fidelidade política do que antes. Não é mais aquele eleitorado consolidado. É um eleitorado em observação, com um pé dentro e outro fora.
E tem mais. A mulher brasileira não é apenas maioria. É maioria decisiva. São milhões de votos a mais que os homens. Foi essa diferença que fez Lula cruzar a linha de chegada em 2022. E pode ser essa mesma diferença que embaralha o jogo agora.
No fim das contas, o que se desenha é uma mudança de humor. E política é, antes de tudo, humor coletivo. Quando esse humor vira, vira rápido. O eleitorado feminino não abandonou Lula de vez. Mas já não caminha com a mesma convicção. E numa eleição apertada, isso não é detalhe. É o jogo inteiro.
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