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Datamax e Census na mira: Justiça Eleitoral manda derrubar pesquisas no Piauí

Levantamentos são retirados do ar por “vícios insanáveis” que poderiam induzir eleitores e comprometer a credibilidade dos resultados

23/04/2026 às 14h24
Por: Douglas Ferreira
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Pesquisas tendenciosas foram derrubadas pela Justiça Eleitoral - Foto: Reprodução
Pesquisas tendenciosas foram derrubadas pela Justiça Eleitoral - Foto: Reprodução

Quando a pesquisa vira problema: Justiça Eleitoral intervém e manda retirar levantamentos no Piauí

A decisão da Justiça Eleitoral de mandar retirar do ar pesquisas divulgadas pelos portais 180 Graus e Conecta Piauí, realizadas pelos institutos Datamax e Census, não foi mero detalhe técnico. Foi um alerta claro sobre limites que não podem ser ultrapassados quando o assunto é opinião pública.

O ponto central da decisão está no que a própria Justiça classificou como “vício insanável”. Traduzindo: erros graves, que comprometem a credibilidade do levantamento. Entre eles, a inclusão de perguntas sobre cargos que sequer estavam contemplados no registro da pesquisa, o que fere diretamente a Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral.

E por que isso é tão sério?

Porque abre espaço para o chamado “efeito de ancoragem”. Na prática, o eleitor pode ser induzido a responder com base em referências que não deveriam estar ali. Ou seja, a pesquisa deixa de medir opinião e passa, ainda que indiretamente, a influenciar o resultado.

A Justiça entendeu que esse tipo de distorção compromete a fidedignidade dos dados. E pesquisa eleitoral sem confiança não informa, confunde.

A iniciativa de questionar os levantamentos partiu de adversário político, no caso o Progressistas, como é comum nesse tipo de disputa. Em período eleitoral, cada número divulgado tem peso, e qualquer suspeita de irregularidade vira campo de batalha jurídico.

Sobre punições mais duras, como multas ou sanções aos institutos, isso depende do andamento das ações. A retirada imediata do conteúdo é uma medida preventiva. A responsabilização, se houver, vem depois, com análise mais aprofundada sobre erro técnico ou eventual má-fé.

E aqui entra a pergunta que não quer calar: foi falha metodológica ou tentativa de direcionar resultado?

A resposta ainda está em aberto. Mas o episódio deixa uma lição evidente. Em eleição, pesquisa não é só número. É instrumento de influência.

E quando esse instrumento perde a credibilidade, quem perde não é só um candidato. É o próprio eleitor.

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