
A ideia de que o Brasil fica com o “café ruim” enquanto o melhor é exportado ainda circula, mas já não reflete a realidade atual. Segundo especialistas, essa percepção tem origem nos anos 1980, quando o mercado era pouco fiscalizado e havia fraudes frequentes. Na época, misturas com cevada, milho e até impurezas eram comuns, o que prejudicava a qualidade do produto consumido internamente.
Esse cenário era agravado pelo controle de preços feito pelo governo, que não incentivava a produção de cafés melhores. Como o valor final era praticamente o mesmo, independentemente da qualidade, produtores preferiam vender os melhores grãos para o exterior, onde conseguiam preços mais altos. Com isso, o consumidor brasileiro acabou convivendo com um café inferior, o que consolidou a má fama que persiste até hoje.
A virada começou em 1989, quando o controle do setor passou para a Associação Brasileira da Indústria de Café. A entidade criou o Selo de Pureza, exigindo que os produtos fossem feitos com 100% de café, sem misturas. Campanhas publicitárias com o ator Tarcísio Meira ajudaram a recuperar a confiança do consumidor. Com mais fiscalização e regras mais rígidas, o nível de fraude caiu drasticamente, de cerca de 30% no fim dos anos 80 para menos de 1% atualmente.
Hoje, o Brasil produz cafés de alta qualidade, inclusive os chamados especiais, que ganham prêmios internacionais. Embora uma parte maior ainda seja exportada, o consumo interno desse tipo de produto cresceu nos últimos anos. Além disso, normas recentes do governo reforçaram o controle, limitando impurezas e ampliando a fiscalização. Na prática, o país deixou para trás o passado de baixa qualidade, mas a fama antiga ainda insiste em ficar.
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