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Cientistas eliminam câncer de pâncreas em animais e abrem nova esperança de tratamento

Terapia combinada fez tumores desaparecerem em camundongos e pode mudar um dos cenários mais difíceis da oncologia

31/01/2026 às 15h40 Atualizada em 02/02/2026 às 08h16
Por: Wagner Albuquerque
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Pesquisa foi liderada por Mariano Barbacid, chefe do Grupo de Oncologia Experimental do CNIO; à sua esquerda, a soprano Cristina Domínguez, diagnosticada com câncer de pâncreas; à direita, Lola Manterola, presidente da CRIS Cancer Foundation - Foto: Repro
Pesquisa foi liderada por Mariano Barbacid, chefe do Grupo de Oncologia Experimental do CNIO; à sua esquerda, a soprano Cristina Domínguez, diagnosticada com câncer de pâncreas; à direita, Lola Manterola, presidente da CRIS Cancer Foundation - Foto: Repro

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO) conseguiram eliminar completamente tumores de câncer de pâncreas em testes com animais, um avanço inédito contra um dos tipos de câncer mais agressivos e letais. O estudo, publicado na revista científica PNAS, mostrou que os tumores desapareceram em camundongos entre três e quatro semanas e não voltaram, mesmo após mais de 200 dias sem tratamento.

A estratégia usada pelos cientistas foi combinar três medicamentos que atacam o tumor por diferentes frentes. Um deles bloqueia o oncogene KRAS, presente em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas, enquanto os outros dois agem sobre proteínas essenciais para o crescimento e a sobrevivência das células cancerígenas. Ao atingir várias etapas do mesmo mecanismo, os pesquisadores conseguiram evitar a resistência ao tratamento, um dos maiores obstáculos desse tipo de câncer.

Outro ponto relevante é que os animais não apresentaram sinais importantes de toxicidade, algo raro em terapias experimentais contra tumores tão agressivos. Além disso, a regressão do câncer ocorreu mesmo sem a ajuda do sistema imunológico, o que indica um potencial futuro para pacientes com imunidade comprometida. Especialistas destacam que, até hoje, o tratamento do câncer de pâncreas avançou pouco além da quimioterapia tradicional.

Apesar do entusiasmo, os próprios autores reforçam que os resultados ainda se limitam ao laboratório. O próximo passo será adaptar a terapia para testes clínicos em humanos, um processo complexo, lento e que exige cautela. Ainda assim, o estudo é visto como um ponto de virada, ao mostrar que pode ser possível enfrentar de forma eficaz um câncer historicamente associado a poucas opções e baixa sobrevida.

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