
O Ministério da Saúde anunciou uma medida de precaução que chamou a atenção de todo o país: a suspensão temporária da vacinação contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a notificação de casos graves registrados em pessoas que receberam o imunizante, incluindo duas mortes que estão sob investigação.
É importante destacar que a suspensão não significa que a vacina tenha sido confirmada como causa dos óbitos ou das complicações registradas. O que existe neste momento é uma investigação para apurar se há ou não relação entre os eventos adversos e a imunização.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses já foram aplicadas em todo o Brasil. Nesse universo, foram registrados 42 casos de reações adversas graves potencialmente associadas à vacina. Entre essas notificações, três situações despertaram maior preocupação das autoridades sanitárias.
O primeiro caso envolveu uma mulher de 39 anos, profissional da atenção primária à saúde, que apresentou febre, dores musculares e náuseas poucos dias após a vacinação. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, exigindo internação em UTI. Felizmente, ela se recuperou e recebeu alta médica.
Já os outros dois casos resultaram em morte e são os que mais preocupam os investigadores.
Uma mulher de 48 anos desenvolveu sintomas de dengue grave associados a complicações neurológicas, incluindo meningoencefalite, cerca de 19 dias após receber a vacina.
O terceiro caso ocorreu com um homem de 58 anos, que apresentou febre poucos dias após a imunização e evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário, não resistindo às complicações.
Outro detalhe relevante é que os três casos investigados ocorreram em profissionais da área da saúde, público que estava entre os primeiros grupos contemplados pela estratégia de vacinação.
A vacina do Butantan representa um marco importante para a ciência brasileira. Trata-se da primeira vacina contra a dengue produzida integralmente no país e também da primeira do mundo desenvolvida para aplicação em dose única. O imunizante vinha sendo utilizado em campanhas de vacinação em municípios de estados como São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Tocantins.
Apesar disso, o Ministério da Saúde reforça que os casos graves não foram registrados nas cidades que participavam dessas campanhas de imunização em massa.
Enquanto a investigação prossegue, a recomendação é que todas as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento, especialmente se apresentarem sintomas como febre, dores abdominais intensas, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, irritabilidade ou sinais de desidratação.
A suspensão da vacinação passa a valer a partir desta terça-feira (9) e permanecerá em vigor até que os órgãos responsáveis concluam a análise dos casos.
O principal objetivo da medida é garantir a segurança da população e permitir que as autoridades sanitárias esclareçam se os episódios registrados possuem relação direta com a vacina ou se foram provocados por outros fatores clínicos ainda em investigação.
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