
A Anvisa aprovou o uso do lenacapavir injetável como nova opção de prevenção ao HIV. O medicamento entra como alternativa à PrEP tradicional em comprimidos e chama atenção por um detalhe decisivo: é aplicado apenas duas vezes por ano. A indicação é para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com pelo menos 35 kg, desde que testem negativo para o vírus antes do uso.
Os números explicam o entusiasmo. Em estudos clínicos com milhares de voluntários, a eficácia foi próxima de 100%. Em uma das pesquisas, nenhuma das mais de 2 mil mulheres que receberam o medicamento contraiu HIV. Em outro estudo amplo, apenas dois casos de infecção foram registrados entre mais de 3 mil participantes. O resultado foi tão expressivo que alguns testes chegaram a ser encerrados antes do previsto.
A decisão da Anvisa segue recomendação da Organização Mundial da Saúde, que vê o lenacapavir como a melhor alternativa disponível enquanto não existe uma vacina. Para a OMS e o Unaids, o remédio pode acelerar o combate global ao HIV, num momento em que a prevenção está estagnada e mais de 1 milhão de novas infecções seguem ocorrendo por ano no mundo.
O desafio agora é outro: acesso. O custo estimado do tratamento é alto, cerca de US$ 40 mil por pessoa ao ano. Especialistas alertam que, sem preços mais baixos e distribuição ampla, o impacto será limitado. Ainda assim, o consenso é claro: o lenacapavir representa um avanço histórico e pode redefinir a prevenção do HIV, inclusive para grupos que hoje têm menos proteção com as opções disponíveis.
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