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Brasil ESQUERDA HIPÓCRITA

A confissão de Mirian Macedo e a hipocrisia da esquerda: quando a mentira vira legado político

A revelação de uma ex-militante joga luz sobre as contradições da narrativa de vitimização construída ao longo de décadas no Brasil

22/09/2025 às 10h14 Atualizada em 22/09/2025 às 13h38
Por: Douglas Ferreira
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Mirian Macedo teve a coragem, mesmo que tardia, de recontar a história - Foto: Reprodução
Mirian Macedo teve a coragem, mesmo que tardia, de recontar a história - Foto: Reprodução

É sempre bom lembrar e relembrar a hipocrisia da esquerda. Uma bomba caiu sobre o discurso histórico da esquerda militante: a jornalista Mírian Macedo admitiu, em 2011, ter mentido por 30 anos ao afirmar que havia sido torturada durante a ditadura militar. Em texto publicado em seu próprio blog, intitulado “A verdade: eu menti”, Mírian confessou que inventou relatos de choques elétricos, ameaças de estupro e até traumas de escada para sustentar uma imagem de vítima do regime.

A revelação é um soco no estômago de quem acreditou na aura de heroísmo que cercou parte da militância de esquerda. Mais do que uma confissão pessoal, o episódio desnuda a estratégia de construir legitimidade política a partir da dor — mesmo quando a dor era fabricada.

Mírian reconheceu que sua “grande contribuição revolucionária” não foi a luta contra o regime, mas a mentira sistemática. Disse ter repetido versões inventadas de tortura, e ironizou:

“As palmadas que dei nos meus filhos foram mais fortes do que o que sofri nas mãos do DOI-CODI”.

A frase, chocante, escancara a contradição: enquanto muitos realmente padeciam sob violência, outros instrumentalizavam o sofrimento alheio para posar de mártir. A mentira está no DNA da esquerda brasileira.

O impacto dessa confissão vai além do caso individual. A esquerda sempre se valeu do argumento moral de que foi perseguida e torturada para justificar indenizações, ganhos políticos e superioridade ética frente à direita. É inegável que houve violência e mortos durante a ditadura, mas também é inegável que narrativas forjadas como a de Mírian colocam em xeque a credibilidade de todo o discurso.

A hipocrisia fica evidente: militantes que defendiam a “verdade histórica” omitiram ou distorceram fatos quando lhes era conveniente. A mentira virou ferramenta política, escudo ideológico, moeda de troca. A lógica era simples: “quem saísse da prisão deveria dizer que foi torturado”, ensinava Mário Lago, comunista histórico.

Resultado? Heróis de papel se multiplicaram, enquanto o regime ficava carimbado, muitas vezes com exageros, como máquina universal de tortura.

A consequência mais grave é a erosão da memória coletiva. Quando uma mentira é descoberta, não se compromete apenas quem mentiu, mas todo o movimento que se beneficiou dela. A confissão de Mírian oferece munição aos revisionistas que tentam negar até mesmo os casos comprovados de tortura. Nesse jogo, a maior vítima não é a direita ou a esquerda, mas a própria verdade.

É legítimo perguntar: quantos outros relatos foram inflados, distorcidos ou simplesmente inventados? Quantos construíram carreiras, receberam indenizações milionárias ou capital político sustentados em versões nunca comprovadas? Até hoje, raríssimos militantes tiveram a coragem de fazer a autocrítica que Mírian fez — ainda que tarde.

O episódio desvela, com brutalidade, a incoerência da esquerda que, ao mesmo tempo em que prega transparência, justiça e reparação, tolerou (ou até incentivou) versões fabricadas da história. A mentira pode até ter servido à luta política nos anos 70, mas hoje cobra seu preço: a perda de autoridade moral.

No fim, a confissão de Mírian Macedo é mais do que uma anedota incômoda. É um espelho cruel do modo como a política brasileira, de todos os lados, insiste em manipular narrativas para obter vantagem. E deixa um alerta inescapável: sem compromisso com a verdade, até as lutas mais justas correm o risco de se transformar em farsas históricas.

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A R SoutoHá 9 meses Brasília-DFExcelente matéria de Douglas Ferreira. Faz jus ao ideal de Liberdade e Verdade. É oportuno relembrar o que o dramaturgo socialista Bertold Brecht afirmou: "Quem luta pelo comunismo deve ser capaz de lutar e de não lutar; expressar a verdade e não expressar a verdade; realizar serviço e não realizar serviço; manter a palavra e não manter a palavra; enfrentar o perigo e não enfrentar o perigo; ser identificável e não ser identificável. ..."
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