
Um novo inquérito autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, colocou o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo sua atuação junto a órgãos do governo federal, entre eles a Dataprev.
De acordo com relatório sigiloso da Polícia Federal, obtido pela imprensa, a empresa 3Structure IT Ltda., apontada como beneficiária da suposta atuação de lobby de Lulinha, realizou um pagamento de R$ 150 mil à RL Consultoria e Intermediações Ltda., empresa que tem como sócios a empresária Roberta Luchsinger e seu pai, Roberto Luchsinger.
Roberta Luchsinger é apontada na investigação como amiga de Lulinha. O relatório também registra que a RL Consultoria recebeu anteriormente R$ 1,5 milhão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado em outras apurações. Segundo o documento, em uma das transferências o empresário teria afirmado que o dinheiro seria destinado ao "filho do rapaz", expressão que a Polícia Federal considera uma possível referência a Lulinha. Esse ponto, contudo, ainda integra a investigação e não representa conclusão definitiva.
A investigação também analisa a relação entre Lulinha e o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT. Segundo a Polícia Federal, existem indícios que justificaram a abertura do inquérito para aprofundar a apuração sobre eventual influência exercida na obtenção de contratos públicos.
A empresa 3Structure IT, criada em 2019 e sediada em Florianópolis, firmou seis contratos com o governo federal, que somam aproximadamente R$ 85,7 milhões, todos voltados para soluções de tecnologia da informação. O maior deles ultrapassa R$ 42 milhões, celebrado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para sustentação do ambiente analítico de dados da pasta. Outro contrato, de R$ 19,3 milhões, prevê a implantação de uma nova solução de backup no ministério. Segundo as informações disponíveis, ao menos cinco desses contratos foram firmados por meio de processos licitatórios.
Outro elemento citado na investigação refere-se às visitas de Roberta Luchsinger ao Ministério do Desenvolvimento Social. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que ela esteve 17 vezes na pasta desde o início do atual governo.
As defesas dos envolvidos contestam qualquer irregularidade. Os advogados de Lulinha afirmam que ele estaria sendo alvo de uma "pesca probatória", expressão utilizada para sustentar que não haveria elementos concretos capazes de justificar a investigação.
Já a defesa de Cleber Ribas informou que a contratação da RL Consultoria teve como objetivo a prestação de serviços de assessoria voltados à prospecção de clientes e identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia. Segundo a nota, o pagamento de R$ 150 mil foi realizado de forma regular, contabilizado, tributado e devidamente documentado.
A empresa também sustenta que os contratos firmados com órgãos do governo federal não tiveram qualquer intermediação de terceiros, afirmando que todas as contratações ocorreram por meio de processos legais e que seus contratos já foram submetidos a auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).
Com a abertura do inquérito, a Polícia Federal deverá aprofundar a análise de documentos, contratos, movimentações financeiras e demais elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas levantadas. Até o momento, a investigação encontra-se em fase inicial e não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal aos investigados.
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