
Já ouviu falar sobre algo assim? O que é mesmo isso, moço? Um tríduo é um período de três dias dedicado a orações, reflexões ou celebrações religiosas. A palavra vem do latim triduum. O exemplo mais importante é o Tríduo Pascal, que marca o centro da fé cristã. Com certeza, nos dias 29, 30 e 31 deste mês de julho, estão sendo celebrados tríduos inacianos por todo o mundo.
O que é um tríduo inaciano? Um tríduo inaciano é um período de três dias dedicado à oração pessoal, à reflexão e à preparação espiritual, fundamentado na espiritualidade de Santo Inácio de Loyola. Ele serve como um momento de imersão leve ou de introdução aos Exercícios Espirituais jesuítas, focando no silêncio, no discernimento e no exame da própria vida à luz da fé. Certa vez, fiz um retiro inaciano de trinta dias (30), em Salvador, Bahia; coisas desse tipo marcam toda a vida da gente!
Quem foi mesmo Santo Inácio de Loyola? O fundador da Companhia de Jesus nasceu no Castelo de Loyola, em Azpeitia, região basca ao norte da Espanha, em 1491. Filho de uma família cristã da nobreza rural, o caçula de 13 irmãos e irmãs foi batizado como Iñigo. Mais tarde, entretanto, mudaria seu nome, passando a assinar Inácio. Em 1506, quando tinha aproximadamente 15 anos, Inácio colocou-se a serviço de Juan Velázquez de Cuéllar, ministro do Tesouro Real durante o reinado de Fernando de Aragão. Aos cuidados de seu protetor, recebeu excelente formação, aprimorou sua cultura e tornou-se exímio cavaleiro, mostrando inclinação pelas aventuras militares. E, como descreveu em sua autobiografia, até os 26 anos de idade, “tinha sido um homem entregue às vaidades do mundo”.
Essa história começou a mudar de rumo em 1517, quando Juan Velázquez caiu em desgraça e Inácio passou a servir ao duque de Nájera e vice-rei de Navarra, participando de vários combates militares. Mas, certa vez, ao ser atingido na perna, ficou convalescente e sob cuidados. E o que aconteceu? Pediu livros para ler, e os de guerra e poder já não o satisfaziam mais. A vida dos santos da Igreja transformou Inácio!
Tríduo Inaciano? É apenas a deixa para falar da formação jesuítica? Amigos leitores, li e reli várias vezes o livro Inácio de Loyola, sozinho e a pé. É um livro para ser lido sempre que necessário e até mesmo quando não parece necessário. É uma maravilha.
Já não se fazem jesuítas como antigamente? A maioria deles, nos dias atuais, é grossa e rude? Quase sempre mal-humorada e sem educação nem elegância? É o que andam dizendo constantemente, principalmente dos que chegam a Teresina? Certamente nunca acreditei, nem acredito e jamais acreditarei nesses relatos. A nossa visão sobre os jesuítas é clássica. Moramos no Colégio Antônio Vieira, em Salvador, Bahia, e, mesmo nos dias atuais, o relacionamento com os jesuítas é dos melhores. A Companhia foi, é e continuará sendo motivo de gratidão e admiração.
Agora, há um porém, lógico: os jesuítas são reservados, ariscos, arredios a qualquer tentativa de envolvê-los politicamente em algo ou com alguém. É simplesmente o jeito deles. E apreciamos isso. Afinal, são homens institucionais. Desde o momento em que se tornam, de fato, jesuítas — principalmente depois da terceira provação —, já não são simplesmente “seres humanos”, mas homens institucionais e institucionalizados. E tem mais: é muito pequeno o índice de abandono!
És um inaciano de fato e de direito? És um homem caracteristicamente jesuítico? Realmente gosto e aprecio. Graças a Deus e à formação jesuítica, temos recebido inúmeros “livramentos”, como popularmente o povo chama o salvar-se dos caminhos do mal e das tentações do maligno. Inácio de Loyola, sozinho e a pé. Vivenciemos o Tríduo!
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