
O maior escândalo da história do INSS está prestes a ser destrinchado pelo Congresso. A quadrilha que fraudava aposentados, pensionistas, viúvas e idosos colocou as mãos em cerca de R$ 6,3 bilhões — apenas de 2019 a abril de 2025. Agora, com a instalação da CPMI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (União/AL), relator da comissão, promete apurar responsabilidades que remontam ao governo Dilma Rousseff (PT), passando por Michel Temer (MDB), Jair Bolsonaro (PL) e chegando ao atual presidente, Lula (PT).
Segundo Gaspar, o recorte temporal da investigação parte de 2015, obedecendo critérios de eficiência e prescrição.
“Se for ver o nascedouro desse crime tão grave, você vai ter que retroceder quase à promulgação da Constituição. Mas ladrões não faltam, infelizmente, ao longo da jornada, para pegar o dinheiro do povo. Esses que meteram a mão no dinheiro dos aposentados vão ter que ser responsabilizados”, afirmou em entrevista à CNN Brasil.
A disputa política é inevitável. A oposição tenta imputar a fraude à gestão de Lula, enquanto governistas argumentam que o esquema teria começado no período Bolsonaro. O relator, aliado do ex-presidente, evita o embate direto e foca em descrever o sistema de corrupção como uma engrenagem que atravessou governos. Ele já descartou priorizar a convocação de Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente de uma associação investigada, afirmando que pretende ouvir antes ex-ministros da Previdência e dirigentes do INSS.
Para Gaspar, a prioridade é apontar os verdadeiros articuladores:
“Eu tô preocupado em mostrar na CPMI quem são os grandes larápios do povo mais trabalhador e sofrido do Brasil. Nós temos muita gente usufruindo de riqueza que pertence ao povo brasileiro. E é essa capa que eu quero tirar”.
Ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Alfredo Gaspar foi eleito relator no último dia 20 em articulação que contrariou os interesses do governo e das presidências da Câmara e do Senado. Ao lado do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos/MG), promete uma investigação técnica e dura.
“Quem quiser que suje sua história defendendo ladrão, que faça. Não será o meu caso”, concluiu.
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