
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) protagonizou, nesta sexta-feira (22), um episódio sem precedentes na política brasileira. Primeiro e único senador da República a usar tornozeleira eletrônica por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), ele voltou a desafiar o ministro Alexandre de Moraes em uma live transmitida no YouTube, onde denunciou estar sendo vítima daquilo que já vem sendo chamado por muitos de “ditadura da toga”.
Na transmissão, Do Val exibiu cartões de crédito bloqueados, ordem de despejo, contas bancárias inacessíveis e a tornozeleira eletrônica que, segundo ele, transformou-se em um “símbolo da perseguição política”. Em tom de confronto direto, lançou duras ameaças a Moraes:
“Você tá f*dido, Alexandre. Xandão, coincidência? Você não sabe com quem se meteu.”
As sanções impostas pelo STF incluem bloqueio de salários, verbas de gabinete, imóveis e veículos, além da proibição de uso de redes sociais. Na prática, o senador está sem acesso a recursos básicos, correndo inclusive o risco de ser despejado. A situação revela o peso das medidas consideradas abusivas e inéditas contra um parlamentar em exercício.
A decisão de realizar uma live — mesmo sob risco de novas punições — soa como um misto de coragem e desespero. Coragem por enfrentar abertamente o ministro, e desespero por denunciar ao público a situação de sufocamento financeiro e político a que foi submetido.
Investigado por suposta participação em um plano para anular as eleições presidenciais de 2022 e por ataques a investigadores da Polícia Federal, Do Val afirma estar sendo punido por expressar opiniões. O episódio reacende o debate: expressar opinião é crime? E até onde vai o poder do STF para calar parlamentares e cidadãos?
Diante do ato de afronta, é possível que Moraes adote novas medidas retaliatórias contra Marcos do Val. Entre elas, a intensificação das restrições já existentes, a aplicação de multas diárias pelo descumprimento das ordens judiciais ou até mesmo um pedido de prisão preventiva, o que abriria ainda mais uma crise institucional entre o Judiciário e o Senado.
Marcos do Val tornou-se um personagem central: para uns, símbolo de resistência contra a censura; para outros, um político inconsequente que desafia a Justiça. Mas uma coisa é certa: sua luta expõe os limites cada vez mais tênues entre democracia, censura e abuso de poder no Brasil.
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