
O clima da CPMI do INSS já está dado pelo tom firme do relator, deputado Alfredo Gaspar (UPB-AL). Promotor de Justiça de carreira, ex-chefe do Ministério Público de Alagoas e ex-secretário de Segurança Pública, Gaspar deixou claro que a investigação não será palco de complacência com os acusados de saquear milhões de aposentados.
“Minha missão é mostrar que bandido é bandido, seja ele quem for”, declarou em discurso que ecoa o sentimento de indignação de grande parte da sociedade brasileira. Para ele, “o Brasil não aguenta mais corrupção e impunidade”.
O escândalo, que envolve fraudes contra cerca de 9 milhões de beneficiários do INSS, já se arrasta por cinco meses sem prisões, bloqueio de bens ou punição efetiva. O caso se soma a uma série de denúncias de desvios e irregularidades em órgãos públicos, alimentando a desconfiança da população em relação ao Executivo, ao Legislativo e, sobretudo, ao Judiciário, acusado de inércia e proteção a aliados do governo.
Gaspar enviou um recado direto a sindicalistas, dirigentes de associações e demais investigados: “Quem rouba precisa ser descoberto, o dinheiro devolvido e a cadeia ser o destino certo, independente de ideologia ou cargo”.
Segundo o deputado, sua trajetória de combate ao crime organizado agora se projeta sobre o Congresso Nacional. “Minha vida inteira foi dedicada a combater o crime e a defender a justiça. Entrei na política com o mesmo patrimônio: a honra”, afirmou.
Com esse discurso, Alfredo Gaspar posiciona a CPMI como espaço de enfrentamento e promete responder à cobrança popular por justiça. O desafio, porém, será romper a barreira da impunidade que historicamente protege os poderosos em Brasília.
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