
Num ato que beira a jogada de mestre, a oposição conquistou o que parecia impossível: elegeu o presidente e o relator da CPMI que investigará o bilionário esquema de fraudes no INSS, acusado de lesar aposentados e pensionistas em até R$ 6,4 bilhões entre 2019 e 2025. O senador Carlos Viana (Podemos/MG) foi eleito com 17 votos contra 14 do candidato governista Omar Aziz (PSD/AM), apoiado por Davi Alcolumbre e pelo governo federal. Em rápida reviravolta, Viana já nomeou como relator o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil/AL), bolsonarista e figura que representa o contraponto à narrativa governista.
Foi uma derrota inesperada para o governo: Aziz era o nome articulado pelo comando do Senado e pelo Planalto para controlar os rumos da investigação. A mobilização expressiva da oposição — com reuniões que se estenderam madrugada adentro — acabou desequilibrando o jogo. A CNN atribuiu a derrota a falhas de articulação do Planalto e à subestimação da capacidade de mobilização adversária.
Carlos Viana justificou seu apoio crescente nas últimas horas como reflexo do desejo de uma investigação isenta e efetiva.
“Não há aqui vontade de prejudicar quem quer que seja que responda pelo INSS hoje ou no passado”, disse, prometendo transformar a comissão em ferramenta de responsabilização e prevenção a novos esquemas.
Já Omar Aziz, apesar da derrota, se comportou com elegância política, pedindo "que seja um trabalho digno".
Para a oposição, este foi “um feito que deveria ter ocorrido desde o início”, conforme palavras da líder Caroline de Toni (PL/SC):
“O povo espera pela verdade, e agora isso será possível”.
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