
A permanência do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados enfrenta turbulências crescentes diante de duas denúncias que expõem possíveis irregularidades em seu gabinete.
O parlamentar mantém em sua folha de pagamento Ary Gustavo Soares, registrado como secretário parlamentar desde 2019, com salário mensal de R$ 7.200, incluindo benefícios. A função exige dedicação exclusiva em Brasília, mas relatos de moradores e ex-trabalhadores apontam que Ary atua, na prática, como caseiro em uma fazenda de Hugo Motta, em Serraria (PB).
Até o momento, a Câmara dos Deputados não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra a chefe de gabinete de Motta, Ivanadja Velloso Meira Lima, acusada de centralizar o controle financeiro de funcionários e ex-funcionários do gabinete.
A investigação revelou que 10 assessores assinaram procurações dando a Ivanadja poderes amplos para movimentar contas bancárias, sacar valores e até receber salários em nome deles.
Em oito dessas procurações, o repasse direto dos salários foi autorizado de forma explícita. Dois servidores que concederam tais poderes ainda permanecem no gabinete do deputado.
No total, esses assessores movimentaram mais de R$ 4 milhões em remunerações, valor que pode estar vinculado a um esquema de desvio de recursos.
A crise que envolve Hugo Motta remete ao caso do ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcante, que em 2005 foi obrigado a renunciar ao cargo após denúncias de recebimento de propina para liberar concessões no restaurante da Casa. O episódio ficou marcado como um dos maiores escândalos políticos da época e serve de alerta: a pressão institucional e política pode forçar a queda de um presidente da Câmara quando as denúncias atingem níveis insustentáveis.
As denúncias contra Motta caem como uma bomba em meio ao início de sua gestão, fragilizando sua liderança e aumentando as comparações com o caso de Severino. Enquanto a sociedade aguarda explicações, setores da oposição já articulam formas de pressionar por uma apuração rigorosa e até mesmo pelo afastamento do deputado, caso as acusações sejam confirmadas.
EMENDA PARLAMENTAR Motta reage a Dino e acusa STF de criminalizar a atividade política
DIREITOS HUMANOS Governo Rafael Fonteles quer ensinar a polícia a ser polícia?
ELEITORADO FEMININO Flávio Bolsonaro reforça campanha com ex-presidente da Caixa e aposta no eleitorado feminino Mín. 20° Máx. 38°