
Teresina tem enfrentado uma onda silenciosa e devastadora de suicídios. Só em 2024, a taxa de suicídio no Piauí foi de 11,49 mortes por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional (6,7). Em 2020 os dados eram de 9,5 por 100 mil habitantes, o que prova que vem aumentando de uma forma alarmante. Não é um dado isolado, nem um fenômeno inexplicável. É a ponta do iceberg de um problema mais profundo, enraizado na ausência de oportunidades, no abandono social e até mesmo no clima.
O Piauí é maior, em extensão territorial, do que o estado de São Paulo. Mas aqui termina a comparação. A densidade populacional é baixíssima, e as oportunidades, ainda menores. Teresina, apesar de ser a capital e o centro político, econômico e educacional do estado, concentra desigualdades gritantes. Muitos que aqui nascem, partem. Jovens, sobretudo, abandonam a terra natal em busca de uma vida possível em outros estados e os que ficam, muitas vezes, se veem presos a um cenário de estagnação.
Essa realidade, por si só, já seria alarmante. Mas há outro fator que se soma de maneira cruel a esse cenário: o calor extremo. Teresina é uma das capitais mais quentes do Brasil. Estudos internacionais, como o da Universidade Stanford, já demonstraram que há uma ligação direta entre aumento da temperatura e elevação nas taxas de suicídio. O calor excessivo altera a produção de serotonina, aumenta o estresse térmico e afeta diretamente o equilíbrio emocional.
Estamos falando de um estado onde quase metade dos municípios já registraram pelo menos um caso de suicídio nos últimos anos. Isso nos obriga a uma reflexão séria: quantas vidas mais serão perdidas antes que o problema seja tratado com a urgência que merece?
A resposta não está apenas em setembro amarelo ou em campanhas pontuais. Está em políticas públicas duradouras, que invistam em:
A dor que hoje se espalha em silêncio precisa ser escutada. Porque não se trata de números. Trata-se de vidas de pessoas que amam, sonham e que, em algum momento, deixaram de enxergar uma saída. E quando a única resposta possível parece ser a morte, é porque todas as outras foram negadas.
É hora de enfrentar essa realidade com coragem e compromisso. O calor pode ser inevitável, mas o descaso, não.
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