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Política NE REPROVA LULA

Lula em queda: impopularidade cresce no Nordeste e governo insiste em negar os fatos

Mesmo com pesquisas indicando desaprovação recorde, o governo Lula e lideranças do PT insistem em discursos otimistas — com apoio acrítico de parte da imprensa

12/06/2025 às 15h10
Por: Douglas Ferreira
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A estratégia parece ser a de repetir uma mentira mil vezes - Foto: Reprodução
A estratégia parece ser a de repetir uma mentira mil vezes - Foto: Reprodução

Na política, querer não é poder - e muito menos substituir fatos concretos com discursos vazios. Mas para o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), senador Humberto Costa, parece que basta repetir um desejo para que ele se realize. Durante encontro partidário em Teresina, Costa declarou que a perda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste estaria sendo “revertida de forma consistente”. A fala, no entanto, colide com os números das principais pesquisas de opinião do país.

A realidade mostra exatamente o contrário: a impopularidade do governo Lula cresce de forma contínua e orgânica. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada recentemente, a desaprovação ao governo chegou a 57%, o maior índice desde o início do terceiro mandato. No Nordeste, onde historicamente o PT obtém seus maiores índices de apoio, a queda também é significativa. Levantamento do Instituto Ipec, publicado por O Globo, mostra que a aprovação do presidente na região caiu de 55% para 45% entre abril e junho.

Cortes e frustrações

Entre os fatores que ajudam a explicar essa guinada negativa estão os cortes no Bolsa Família, a estagnação econômica, a ausência de entregas relevantes e promessas não cumpridas. O povo ainda não viu a 'picanha' e cada vez mais encontra dificuldade em por na mesa a´te mesmo o 'colchão duro'. A frustração é generalizada. O eleitorado que apostou em um novo tempo percebe agora que foi convencido por um vendedor de ilusões. A queda de Lula nas pesquisas não é resultado de campanha adversária, mas de um despertar coletivo: o povo entendeu que foi enganado.

Mesmo assim, o governo insiste em negar o óbvio. “Estamos revertendo a perda com consistência”, afirma Humberto Costa, sem apresentar qualquer dado concreto que corrobore sua declaração. Essa estratégia - de repetir incessantemente uma mentira até que ela se torne verdade - remete à prática de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, na Alemanha nazista. Uma tática que talvez funcionasse nos anos 1930, mas que hoje, em tempos de redes sociais, imprensa independente e institutos de pesquisa confiáveis, é infactível. A verdade aparece - e com força.

Negação oficial, complacência midiática

Mais preocupante do que as falas desconectadas de figuras do governo é a complacência de parte da imprensa, especialmente no Piauí. Em vez de questionar e investigar, muitos veículos limitam-se a reproduzir discursos oficiais como se fossem fatos consumados. A crítica desaparece, a checagem se esconde, e o jornalismo se transforma em panfleto partidário. É nesse vácuo de questionamento que o negacionismo político se fortalece.

Cria-se, assim, um ciclo tóxico: o governo emite discursos sem base, a imprensa os amplifica, e parte da população, mal informada, acaba induzida a acreditar em uma realidade que simplesmente não existe. Contra fatos, não há argumentos - mas o governo parece apostar na repetição como forma de criar uma realidade paralela.

O povo já percebeu

A perda de credibilidade de Lula é palpável. O PT sabe, Lula sabe, a esquerda sabe. Até Janja sabe. O presidente evita aparições públicas espontâneas e só se expõe em ambientes controlados, mesmo em Estados onde foi amplamente votado, como o Piauí. O tradicional corpo a corpo com o povo desapareceu. O que antes era um ativo político virou um risco calculado. A distância física de Lula em relação ao povo simboliza a distância real entre sua gestão e as expectativas da população.

Conclusão

Vivemos um momento em que a verdade é escondida, a imprensa se omite e o governo aposta na repetição de mentiras como tática de sobrevivência política. Mas a queda de Lula nas pesquisas não é resultado de complôs ou manipulações externas. Ela é o reflexo direto do desencanto popular com um governo que prometeu muito e entregou pouco.

A estratégia de negar os fatos não se sustenta mais. A máscara do otimismo forçado já não esconde a decepção nas ruas. E por mais que tentem transformar discurso em realidade, a verdade é implacável - e sempre encontra um jeito de se impor.

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