
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na última terça-feira que a decisão sobre a perda de mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) será levada ao plenário da Casa. A mudança de posição veio logo após o discurso incisivo do deputado André Fernandes (PL-CE), que cobrou votação e criticou a possibilidade de cassação sem o aval dos parlamentares.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por falsidade ideológica. Segundo a investigação, ela teria articulado com o hacker Walter Delgatti Neto uma tentativa de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o objetivo de forjar um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Delgatti, que confirmou ter agido a mando da deputada, foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão.
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil no início de junho. Inicialmente, viajou aos Estados Unidos e atualmente afirma estar em Roma, na Itália. Seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol, tornando-se foragida internacional a pedido do ministro Moraes. Seu advogado, Daniel Bialski, abandonou a defesa após sua saída do país.
A decisão de Hugo Motta foi tomada depois de críticas públicas na Câmara, especialmente por parte de André Fernandes, que defendeu o direito dos deputados decidirem a cassação, como ocorreu no caso Daniel Silveira. Para que o mandato de Zambelli seja cassado, serão necessários ao menos 257 votos favoráveis em plenário.
Hugo Motta alegou que sua declaração anterior, de que não levaria o caso a votação, foi precipitada por não ter sido formalmente notificado da prisão da deputada, apenas do bloqueio de seus salários. Com a notificação oficial, o processo seguirá o trâmite regimental e permitirá a defesa de Zambelli antes da decisão final.
Confira o discurso completo:
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