
Em uma reportagem investigativa de grande repercussão, o UOL trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, membro do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-governador da Bahia. Durante três dias, a equipe percorreu o interior do Estado e descobriu que o ministro é o verdadeiro proprietário de uma fazenda na região, embora a terra esteja formalmente registrada em nome de uma aliada política, o que pode configurar ocultação de patrimônio, um crime grave sob a legislação brasileira.
A fazenda em questão, situada na divisa entre Ipiaú e Itagibá, no sul da Bahia, cobre uma área de cerca de 100 hectares, avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão, de acordo com estimativas locais. O que torna o caso ainda mais delicado é o fato de que a transação não foi registrada no cartório de imóveis, e o imposto sobre transmissão de bens imóveis (ITBI) não foi pago, levantando suspeitas sobre a transparência do negócio.
A situação se complica com a revelação de que a região foi recentemente beneficiada com um investimento de R$ 42 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um programa coordenado pelo próprio ministro. Obras de pavimentação na rodovia que dá acesso à fazenda de Rui Costa estão em andamento, financiadas pelo governo baiano, com um custo previsto de R$ 11 milhões. O ministro, no entanto, optou por não se manifestar sobre as acusações.
Essa descoberta é especialmente relevante considerando o aumento significativo do patrimônio de Rui Costa desde sua última eleição em 2018, quando declarou R$ 674 mil à Justiça Eleitoral. Em 2022, ele adquiriu um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, apenas um indício do crescimento de sua riqueza.
A investigação do UOL aponta também para a relação próxima entre o ministro e a prefeita de Ipiaú, Maria Mendonça, cuja família é proprietária da empresa que originalmente possuía a terra onde a fazenda de Rui foi desmembrada. A proximidade entre os dois levanta mais dúvidas sobre a transparência e a legitimidade das transações envolvendo a fazenda.
Enquanto a comunidade local expressa orgulho por ter um ministro em sua região, a falta de registro e a ausência de licenciamento para as obras na fazenda levantam questões sérias sobre a legalidade das ações de Rui Costa. A continuidade das investigações pode trazer à tona ainda mais detalhes sobre essa complexa teia de alianças políticas e interesses financeiros no coração da Bahia.
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