
O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, manifestou-se nesta quarta-feira (28) sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal para investigar um rombo bilionário nas contas da prefeitura. Segundo Mendes, “é preciso punir quem desviou dinheiro”, destacando a gravidade da situação que compromete quase metade do orçamento anual do município, estimado em R$ 6,4 bilhões.
De acordo com dados apresentados pela atual gestão, a dívida da prefeitura ultrapassa R$ 3,6 bilhões. As dívidas de curto prazo somam R$ 1,12 bilhão, incluindo restos a pagar, depósitos e consignações, despesas de exercícios anteriores, débitos com terceirizados e serviços de coleta de lixo. As dívidas de longo prazo chegam a R$ 1,83 bilhão, abrangendo contratos com instituições financeiras, débitos previdenciários e parcelamentos junto ao Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Teresina (IPMT).
Auditorias realizadas pela atual administração apontam para um cenário de descaso, má gestão e saques generalizados durante a administração do ex-prefeito José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa. O vice-prefeito Jeová Alencar destacou o descontrole nas contas públicas já na reta final da gestão anterior.
Embora a maior parte da dívida seja atribuída à gestão de Dr. Pessoa, que deixou o cargo em 2024, há indícios de que parte do passivo possa ter origens anteriores. No entanto, a atual administração aponta que o descontrole financeiro se acentuou significativamente durante o mandato de Dr. Pessoa .
A CPI tem como objetivo apurar a origem da dívida, identificar os responsáveis e indicar medidas de solução, além de prestar esclarecimentos à população. A comissão deverá analisar contratos, pagamentos e outras movimentações financeiras que possam ter contribuído para o rombo nas contas públicas .
A proposta da CPI foi apresentada pelo vereador Dudu (PT) e contou com o apoio de 13 dos 29 vereadores, incluindo membros do PT, PDT, PSD, MDB, PL e PODEMOS. Entre os signatários estão Carlos Ribeiro (PDT), Carpejanne Gomes (PODEMOS), Daniel Carvalho (MDB), Deolindo Moura (PT), Draga Alana (PSD), Euzuila Calisto (PT), Fernando Lima (PDT), Inácio Carvalho (PT), João Pereira (PT), Joaquim do Arroz (PT), Luís André (PL), Venâncio Cardoso (PT) e Zé Filho (PSD) .
A iniciativa partiu de um vereador do PT e contou com o apoio de outros parlamentares do espectro de esquerda. Embora a CPI tenha como objetivo principal investigar o rombo nas contas públicas, é possível que haja interesses políticos envolvidos, considerando o contexto eleitoral e as disputas partidárias locais. No entanto, a transparência e a prestação de contas são fundamentais para a administração pública, independentemente das motivações políticas.
A CPI representa uma oportunidade para esclarecer os fatos, responsabilizar eventuais culpados e adotar medidas que evitem a repetição de situações semelhantes no futuro.
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