
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu ao anunciar em Campo Verde (MT) que, a partir de junho, vai percorrer o país para “combater a disseminação de fake news”. Na cerimônia de lançamento do programa “Solo Vivo”, ele definiu sua missão: “não permitir que a mentira, a canalhice, a fake news ganhem espaço e que a verdade seja soterrada nesse país”. Mas para além do discurso retórico, restam duas perguntas cruciais:
Lula apontou o dedo para adversários e redes sociais, mas omitiu um tripé poderoso de criadores de “meias verdades”:
O próprio Planalto, com vazamentos seletivos de medidas econômicas que geram pânico no mercado.
O Supremo Tribunal Federal, que já foi acusado de filtrar informações e alimentar narrativas políticas em vez de apenas zelar pela Constituição.
Parte expressiva da grande imprensa, muitas vezes cúmplice na reprodução de versões parciais para desviar a atenção de escândalos ou fracassos governamentais.
Lula afirma pertencer a uma geração que “tem o direito de andar pelas ruas de cabeça erguida” - mas, na prática, evita ambientes públicos:
Quando foi a última vez que circulou livremente em um mercado ou shopping?
Em Teresina, não visita locais comuns desde o velório de Francisca Trindade, há 20 anos.
Suas recentes viagens pelo país foram interrompidas por plateias diminutas, demonstrando que o suposto contato direto já perdeu o fôlego.
Não são as “fake news” que corroem o governo, mas a crescente descrença da população:
Promessas descumpridas - como a garantia de não subir impostos, hoje enterrada no IOF.
Gastos públicos desmedidos e falta de planejamento econômico realista.
A sensação de que, mais do que lutar contra mentiras, o governo produz narrativas convenientes para encobrir sua própria incapacidade.
Lula lembrou dos valores ensinados pela mãe, Eurídice “Dona Lindu”, que exigia honestidade dos filhos. Ironia ou sinceridade? Se o presidente levasse realmente esse ensinamento a sério, precisaria começar combatendo as “meias verdades” vindas de Brasília - antes de sair a bordo de palanque em palanque.
Conclusão:
Anunciar uma tour nacional para enfrentar as “fake news” soa como mais um truque de distração. O desafio real é restabelecer a confiança de um país cético, mostrando compromisso com a transparência e a verdade, não apenas nas palavras, mas nas ações, no respeito às instituições e no diálogo autêntico com
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