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Política VISITA INSTITUCIONAL

Gracinha no Karnak: visita técnica ou ensaio para virada de casaca?

Deputada estadual volta a se reunir com Rafael Fonteles e acende o rastilho das especulações sobre possível aproximação com o governo petista, para desespero de Mão Santa e surpresa da oposição

22/05/2025 às 19h38 Atualizada em 23/05/2025 às 14h10
Por: Douglas Ferreira
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E para aumentar ainda mais as especulações, Gracinha posa para foto e faz “joinha” com a mão esquerda - Foto: Reprodução
E para aumentar ainda mais as especulações, Gracinha posa para foto e faz “joinha” com a mão esquerda - Foto: Reprodução

Toda vez que Gracinha Moraes Sousa atravessa os bem-cuidados jardins de Burle Marx no Palácio de Karnak, um barulho é disparado - e não são os passarinhos: são as especulações políticas que fervem nas redes sociais, bastidores partidários e rodas de cafezinho no litoral e na capital.

A deputada estadual do Progressistas, herdeira do lendário Mão Santa, voltou a sentar à mesa com o governador Rafael Fonteles (PT) nesta quinta-feira (22), alegando que o encontro foi "estritamente institucional", recheado de reivindicações para a planície litorânea - como a duplicação da estrada da Lagoa do Portinho, entre outras dez demandas protocoladas. Mas, em política, como se sabe, o que se diz não é sempre o que se quer dizer.

Amizade colorida ou namoro assumido?

Nos bastidores, ninguém mais acredita que seja só amizade. A frequência das visitas ao Karnak e a companhia de figuras da base governista, como Severo Eulálio e João Mádison (ambos MDB), colocam lenha na fogueira. Estaria Gracinha ensaiando um desembarque no governo Rafael Fonteles? E mais: estaria de malas prontas para o MDB?

Se for verdade, será um golpe político de efeito duplo: de um lado, um trunfo para o governo petista, que enfraqueceria ainda mais a já esfacelada oposição piauiense. De outro, uma punhalada simbólica nas costas do pai, Mão Santa, que sempre repetiu, feito mantra, que "nascer, morrer e votar no PT só se faz uma vez na vida". E essa “uma vez” - segundo ele mesmo - já foi feita e com sabor amargo. Bem ao estilo revivido recentemente, pelo clã Moraes Sousa, com o "Ex-Francisco".

Ego massageado ou articulação concreta?

A deputada jura de pés juntos que tudo se resume a pautas para seu reduto. Mas quem conhece os bastidores sabe que, em política, ninguém se expõe de graça. Gracinha tem plena noção da repercussão que cada visita ao Karnak provoca. E sabe também que alguns colegas de parlamento já sonham em tê-la no time governista, ajudando a dar um verniz de “amplitude” à base de Fonteles.

Seria isso apenas jogo duplo? Uma forma de medir a temperatura da opinião pública e preparar terreno para um futuro desembarque no governo? Ou estaria mesmo apenas passando um perfume de independência, enquanto segue fiel ao Progressistas?

A dúvida permanece: Gracinha vai ou não vai?

Entre as palavras doces e os sorrisos protocolares, a política do Piauí observa em silêncio e expectativa. Se a deputada de fato cruzar o "Rubicão", (Rio Rubicão na Itália, que Júlio César atravessou com seu exército, marcando um ponto de não retorno em sua vida) não será apenas uma troca de legenda, mas uma reviravolta simbólica na história recente do Estado.

Afinal, não é todo dia que a filha de Mão Santa, símbolo do antipetismo visceral, considera uma aproximação com o PT governista. Se está só flertando, a história dirá. Mas uma coisa é certa: cada passo dela nos jardins do Karnak ecoa como um trovão nas praias de Parnaíba.

E o eleitor? Esse assiste, entre surpreso e desconfiado, o desenrolar de mais um capítulo de "Game of Piauí".

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