
A situação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se agrava não apenas nos tradicionais redutos de oposição, mas também onde teoricamente deveria encontrar terreno mais favorável. No Mato Grosso do Sul, Estado natal de Simone Tebet (MDB) - ministra do Planejamento e uma das principais figuras do núcleo político do governo -, os números são francamente negativos: 63,2% da população desaprovam o governo Lula, de acordo com levantamento do Instituto Paraná Pesquisas.
Realizada entre os dias 13 e 16 de maio, a pesquisa mostra que apenas 33% aprovam o atual governo federal no Estado, enquanto 3,2% se dizem indecisos ou não opinam. A leitura política dos dados é direta e desconfortável: nem mesmo a influência local de Tebet é capaz de frear o desgaste da imagem do presidente no Estado.
A rejeição ao governo Lula em Mato Grosso do Sul transcende faixas etárias, níveis de escolaridade e situações ocupacionais. Entre os que cursaram ensino médio, o índice de desaprovação chega a 70,4%. Entre os que possuem ensino superior, salta para 71,7%. Já na população economicamente ativa (PEA), que inclui trabalhadores formais e informais, o índice chega a 67,7%, enquanto 54,9% dos inativos também desaprovam Lula.
Os dados sugerem que o governo petista não conseguiu comunicar avanços concretos nem atender às expectativas de crescimento e investimentos no Estado - o que, em tese, seria atribuição direta do Ministério do Planejamento. E é aí que surge a dúvida: quem está mais fragilizado com esses números - Lula ou Tebet?
Ministra estratégica na construção do discurso de "governo de união nacional", Tebet tornou-se uma das vozes mais moderadas e técnicas do governo. Mas, ao que tudo indica, nem sua popularidade local tem sido suficiente para reverter a percepção negativa do eleitorado sul-mato-grossense em relação ao presidente.
Para analistas, o resultado expõe a limitação do projeto de conciliação política petista, sobretudo em regiões com forte presença do agronegócio e perfil mais conservador. Mato Grosso do Sul, por exemplo, é comandado por Eduardo Riedel (PSDB), que goza de alta popularidade e é considerado favorito à reeleição.
A aprovação de Lula no MS - cerca de um terço do eleitorado - é praticamente o teto do que o PT historicamente atinge no cenário nacional, segundo especialistas. Esse limite se repete em outras pesquisas pelo país, o que revela um problema estrutural de aderência política, mesmo após o retorno ao poder.
Diante dessa fotografia eleitoral, fica cada vez mais difícil imaginar uma reeleição viável por vias democráticas e eleitorais se o governo continuar a perder espaço entre segmentos da população que, em campanhas anteriores, o apoiaram.
O cenário hipotético pintado pelas últimas sondagens é ainda mais preocupante: Lula perderia hoje para Jair Bolsonaro, sua principal figura de oposição, mas também para Michelle Bolsonaro e até para Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e possível presidenciável.
A soma de desgaste de imagem, crise econômica mal gerida, falta de entregas concretas e tropeços na comunicação tem se tornado um cocktail tóxico para o governo Lula - inclusive em áreas que já foram consideradas “garantidas” ou “fiéis”.
O Mato Grosso do Sul, berço político de uma das figuras-chave da atual administração, parece dizer em alto e bom som: nem Tebet salva.
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