
A súbita mudança de postura do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), tem causado estranheza e inquietação entre parlamentares da oposição. Até poucas semanas atrás, Motta demonstrava uma posição firme em defesa de pautas que incomodam o Executivo e o Judiciário, como o projeto de Anistia e a instalação da CPI do INSS. No entanto, recentemente, o parlamentar tem adotado uma conduta mais apática, refratária ao enfrentamento, e passou a evitar o avanço dessas discussões na Casa. O que aconteceu?
Esse "volte-face", essa guinada de comportamento tem sido interpretada por colegas como resultado de pressões externas. O deputado federal Evair de Melo (PP/ES) não hesita em levantar suspeitas graves: “A gente não sabe bem o que aconteceu, mas teve sim assédio moral, chantagem ou ameaça. A mudança dele foi muito brusca”, afirmou em entrevista ao podcast Diário do Poder.
Segundo Evair, a forma como Hugo Motta tem conduzido os trabalhos indica que ele pode estar atuando sob algum tipo de coação. “Ele prometeu não impedir a votação da anistia e não dificultar investigações, como a da CPI do INSS. Mas o que se vê é o contrário: faz corpo mole, parece intimidado”, reforçou o parlamentar.
Para a oposição, há uma forte suspeita de que o Judiciário, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF), possa estar exercendo influência velada sobre o presidente da Câmara. O projeto da anistia é considerado uma afronta direta ao STF, que já demonstrou resistência à sua tramitação. Essa resistência levanta hipóteses sobre possíveis ameaças, ou mesmo acordos de bastidores, que estariam inibindo Hugo Motta.
Parlamentares têm questionado se Motta ou seus familiares estariam envolvidos em processos ou investigações no STF, o que abriria margem para possíveis barganhas políticas ou pressões institucionais. Até o momento, nada foi comprovado. Contudo, o clima de desconfiança cresce a cada movimentação mais omissa do presidente da Câmara em relação a temas caros à base opositora.
Evair de Melo acredita que, caso essa postura seja mantida, Hugo Motta poderá enfrentar sérias dificuldades em sua trajetória política: “Imagino que ele vai ter sérias complicações na eleição de 2026. A base não esquece esse tipo de postura”, alertou.
Enquanto isso, a oposição intensifica os esforços para instalar a CPI do INSS, considerada prioritária. O escândalo envolvendo o roubo bilionário de benefícios previdenciários já ganhou dimensão nacional. “Perderam completamente o pudor. É um assalto aos aposentados”, desabafa Evair. Ele afirma que o caso está mobilizando o Congresso e se tornando um divisor de águas no debate sobre corrupção no governo.
O silêncio de Motta, frente a denúncias graves e à crescente cobrança por ação, alimenta ainda mais os rumores de que algo fora da normalidade está em curso. Se há, de fato, assédio, chantagem ou ameaças, ainda é cedo para afirmar. Mas os sinais de que o presidente da Câmara mudou de lado - ou foi forçado a mudar - são cada vez mais evidentes.
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