
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ser vaiado em público - e de forma retumbante. Desta vez, durante a Marcha dos Prefeitos, realizada nesta terça-feira (20), em Brasília. Um evento com mais de 14 mil inscritos, que deveria ser um palco para o presidente estreitar laços com os municípios e reforçar sua liderança política, virou um constrangedor espetáculo de hostilidade. As vaias foram ouvidas em pelo menos três momentos: na chegada, ao ser chamado para discursar e na saída. Pacote completo. E, mais uma vez, o presidente silenciou - fingiu que não ouviu.
Mas por que Lula tem enfrentado essa crescente rejeição nas ruas? Afinal, se o governo vai bem, como costuma dizer o próprio presidente, por que a população responde com vaias e apatia? O que explica o fracasso de eventos públicos esvaziados ou dominados por protestos?
A resposta pode estar no descompasso entre o discurso oficial e a realidade do país. Lula enfrenta hoje um dilema político e simbólico: ou aparece e é vaiado, ou se recolhe e some da cena pública - agravando ainda mais a percepção de distanciamento com o povo que o elegeu.
Em eventos oficiais ou partidários, a presença popular é pífia. Em muitos casos, como se comenta nos bastidores, não se enche nem uma Kombi. O que teria acontecido com aquele líder carismático que arrastava multidões? Teria Lula perdido a sintonia com as ruas? Ou seriam as ruas que perderam a paciência com Lula?
O governo, por meses, culpou a comunicação. Disse que o povo não sabia das obras, dos programas e das ações porque Paulo Pimenta, então ministro da Secom, não conseguia fazer chegar a mensagem. Foi substituído por Sidônio Palmeira, o mago do marketing que ajudou a construir a campanha da vitória em 2022. Mas o resultado é decepcionante. Nada mudou. As vaias continuam. A impopularidade se alastra. Nas redes sociais Lula e o governo são triturados.
Será que o problema é mesmo a comunicação? Ou será que o governo, na prática, não tem o que mostrar? Obras paradas, promessas recicladas e um clima de estagnação generalizada. A máquina parece emperrada, e nem mesmo os ministros mais leais escapam de crises internas, como a recente tensão entre Rui Costa e a primeira-dama Janja da Silva, exposta publicamente após um vazamento suspeito.
Na Marcha dos Prefeitos, o tom duro do presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, também mostrou que a insatisfação não é só nas ruas - atinge aliados institucionais. Ziulkoski cobrou, alfinetou e disse em alto e bom som: “Abra o olho”. Lula respondeu com ironia, mas não conseguiu disfarçar o desgaste.
Em resumo, o governo parece viver em crise de identidade. O presidente não empolga. A base não reage. A comunicação falha. E o povo… vaia. Sidônio pode até ter talento, mas nem gênio da propaganda faz milagre quando não há narrativa consistente nem realizações concretas para sustentar a imagem de um governo que parece, aos poucos, se esvaziar. Ou, como diriam os mais críticos: já acabou e não avisaram.
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