
Por que esperar tanto? E por que só agora? Essas são as perguntas que pairam no ar depois que o presidente da Câmara Municipal de Teresina, vereador Enzo Samuel (PDT), finalmente confirmou a convocação do suplente Leônidas Júnior (PSB) para assumir a vaga da vereadora Tatiana Medeiros, presa desde o dia 3 de abril.
A decisão, embora tecnicamente correta, chega com 47 dias de atraso. Tatiana Medeiros foi detida preventivamente pela Polícia Federal na Operação Escudo Eleitoral, sob suspeita de crimes eleitorais graves - entre eles, compra de votos e uso de recursos ilícitos. Desde então, estava afastada por determinação judicial. Logo na primeira semana após a prisão, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) já havia solicitado à presidência da Câmara a substituição da parlamentar. Mas Enzo Samuel preferiu adiar.
Em vez de seguir o regimento da Casa de imediato, o presidente optou por fazer uma consulta ao Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), que rejeitou a demanda por unanimidade, devolvendo a responsabilidade ao Legislativo. Só então - um mês e 17 dias depois - Enzo decidiu fazer o que já podia (e deveria) ter feito desde o início: convocar o suplente.
Mas por que agora? Por que exatamente 4 de junho? A resposta é matemática: é quando se encerram os 60 dias do prazo de afastamento da vereadora, determinado pela Justiça. E aí surge outro dilema - e se Tatiana Medeiros deixar a prisão antes do dia 4? Nesse caso, a convocação do suplente perde o objeto, e a cadeira continua sendo dela. Ou seja, a Câmara só agirá de fato no último segundo do último minuto do tempo legal, para evitar qualquer revés ou desgaste político. Medo de retaliações ou jogo de bastidores?
Enquanto isso, os eleitores da capital permanecem sem a totalidade da sua representatividade na Casa Legislativa. O mandato pertence ao PSB, e o PSB ficou sem voz por quase dois meses. Teresina ficou com uma cadeira vazia - ou no mínimo congelada - por tempo demais.
A convocação de Leônidas Júnior agora garante a continuidade dos trabalhos legislativos e resgata, ao menos parcialmente, o equilíbrio da composição partidária da Câmara. Mas o episódio deixa um gosto amargo: a lentidão da resposta institucional diante de um fato grave, notório e oficializado pela Justiça.
Enzo Samuel, ainda que tardiamente, cumpriu o regimento. Mas a pergunta que não cala é: por que foi necessário esperar tanto para fazer o óbvio?
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