
A viagem antecipada da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, à Rússia, reacendeu os debates sobre os gastos do Palácio do Planalto, o uso do dinheiro público e o papel institucional da esposa do presidente da República. Janja partiu para Moscou no dia 2 de maio em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), seis dias antes da chegada da comitiva oficial liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A antecipação da viagem - acompanhada de uma agenda autônoma e de atividades diplomáticas e culturais - fez com que quatro deputados federais da oposição protocolassem requerimentos de informação cobrando explicações do governo. Os documentos foram endereçados ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e levantam preocupações institucionais, diplomáticas e financeiras.
Segundo reportagem do Estado de S. Paulo citada nos requerimentos, os gastos de Janja com viagens já ultrapassaram R$ 1,2 milhão desde 2023. Sem ocupar qualquer cargo formal no governo, a primeira-dama tem acesso a avião oficial, seguranças, assessores, hospedagens e estrutura de apoio - tudo bancado com verba pública.
Janja já está sendo comparada a Imelda Marcos, a ex-primeira-dama das Filipinas que gastava como se não houvesse amanhã. Gastava o dinheiro do povo pobre filipino.
A ausência de mecanismos claros de transparência, aliada à presença cada vez mais frequente da primeira-dama em agendas internacionais e decisões estratégicas, incomoda até mesmo membros da base aliada.
Os deputados Cabo Gilberto Silva (PL/PB), Evair Vieira de Melo (PP/ES), Capitão Alberto Neto (PL/AM) e Adriana Ventura (NOVO/SP) querem saber:
Qual o custo total da viagem à Rússia?
Qual a fonte orçamentária utilizada?
Quais os critérios para a participação da primeira-dama em eventos internacionais?
Quais medidas existem para garantir fiscalização e economicidade?
Durante sua passagem pela Rússia, Janja cumpriu agenda nas áreas social, educacional e cultural. Participou de reuniões com brasileiros residentes, visitou universidades e museus, e esteve em eventos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Também passou por pontos turísticos como o Teatro Bolshoi e o Museu Hermitage.
A visita ocorre em um momento delicado, com o governo russo buscando ampliar sua influência cultural e política em países da América Latina e África, como forma de suavizar o isolamento internacional após a invasão da Ucrânia.
A falta de reação de órgãos como o TCU, a CGU ou o STF, até o momento, gera incômodo. Nenhum ministro do Supremo estipulou prazos para que os gastos de Janja sejam justificados, como se viu em outros episódios envolvendo servidores ou ministros. A ausência de freios institucionais pode abrir espaço para abusos - ou, no mínimo, para a percepção de privilégios excessivos em um país marcado por desigualdades e crise fiscal.
Reflexão final:
A atuação cada vez mais presente de Janja no cenário político e diplomático impõe ao Estado brasileiro a necessidade de rever regras e limites institucionais para a atuação da primeira-dama. Quando os gastos públicos ultrapassam cifras milionárias e não vêm acompanhados de justificativas claras e fiscalização efetiva, a democracia e a confiança da sociedade nas instituições se fragilizam.
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