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Política LIGAÇÕES PERIGOSAS

O que realmente trava a CPI do INSS?

Jerônimo Arlindo, o “Júnior do Peixe”, ex-diretor da Conafer investigado por fraudes milionárias, ocupa cargo no gabinete do presidente da Câmara. Pressão cresce por instalação imediata da CPI

18/05/2025 às 09h24 Atualizada em 18/05/2025 às 23h38
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações DP
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Jerônimo Arlindo, o Júnior do Peixe, é lotado no gabinete de Hugo Motta na Câmara - Foto: Reprodução
Jerônimo Arlindo, o Júnior do Peixe, é lotado no gabinete de Hugo Motta na Câmara - Foto: Reprodução

Apesar de alegações de que Motta estaria resistindo por acordos com o governo federal ou pressão da base governista, os fatos agora indicam que há um motivo mais pessoal e sensível por trás da rejeição à CPI:

Jerônimo Arlindo, o Júnior do Peixe - ex-diretor da Conafer e suspeito de envolvimento em fraudes contra o INSS - é hoje assessor no gabinete de Hugo Motta.

Esse fato explosivo cria um evidente conflito de interesses para o presidente da Câmara, que pode estar tentando evitar a exposição direta de um integrante de sua equipe. A leitura no Congresso é clara: ao tentar proteger Júnior, Hugo pode estar, na prática, se protegendo também - mesmo que apenas de um desgaste político devastador.

Quem é Júnior do Peixe e por que ele importa tanto nessa história?

  • Ex-diretor da CONAFER, entidade investigada por fraudes milionárias contra aposentados, com saltos de faturamento de R$ 400 mil em 2019 para R$ 202 milhões em 2023.

  • Foi secretário-executivo da Pesca na Paraíba, durante o governo petista de Ricardo Coutinho (PT) e permaneceu no cargo até 2020 sob o governo João Azevedo (PSB).

  • Possui vínculo histórico com o governo Dilma, quando também ocupou cargo no Ministério da Pesca.

  • Após sua exoneração em setembro de 2020, foi acolhido menos de um mês depois no gabinete de Hugo Motta, onde permanece até hoje como ASPNE (Assessor Técnico sem vínculo efetivo).

E agora? A CPI vai sair?

Com a revelação do vínculo funcional direto entre Hugo Motta e um dos pivôs do escândalo, a oposição deve aumentar substancialmente a pressão para a instalação da CPI. Os possíveis desdobramentos são:

  1. Crescimento da pressão pública e parlamentar contra Motta, sobretudo de bancadas de oposição e independentes.

  2. Abertura de um processo ético ou de pedido de afastamento de Jerônimo Arlindo, para preservar minimamente a imagem da presidência da Câmara.

  3. Risco de judicialização, com parlamentares questionando no STF o bloqueio da CPI se todos os requisitos regimentais já estiverem cumpridos (número de assinaturas e fato determinado).

  4. Repercussão negativa nas bases eleitorais de Motta e de deputados que se alinharem à blindagem do caso.

Reflexos para Hugo Motta

A permanência de Júnior do Peixe no seu gabinete compromete a autoridade moral de Motta para comandar a pauta legislativa sobre o caso INSS. O episódio:

  • Mancha a imagem da presidência da Câmara, dando a entender que Motta estaria usando o cargo para blindar aliados suspeitos.

  • Alimenta a desconfiança de que há mais políticos comprometidos com o esquema que sangrou recursos de populações vulneráveis.

  • Pode gerar reação interna no Republicanos, partido que busca manter imagem de "centro conservador ético", e abrir fissuras entre seus líderes.

Conclusão: CPI ou blindagem?

Neste momento, a instalação da CPI do INSS parece menos travada por cálculos políticos e mais por interesses diretos de preservação. Se Hugo Motta insistir na obstrução, o escândalo pode escalar e contaminá-lo ainda mais. Se liberar a CPI, terá de explicar por que manteve e protegeu Júnior do Peixe por tanto tempo, mesmo com os indícios já existentes.

A pressão só tende a crescer - dentro e fora do Congresso -, com parlamentares e a sociedade exigindo respostas para o rombo bilionário que afetou idosos, pensionistas, indígenas e pessoas com deficiência. E agora, com o nome do assessor exposto, a blindagem pode não durar muito.

Se quiser, posso montar um roteiro para vídeo de denúncia, nota de esclarecimento para imprensa, ou carta aberta aos aposentados. Deseja alguma dessas opções?

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