
Numa coisa todos precisamos concordar com Karl Marx, o pensador que inspira uma legião de socialistas, comunistas e "ilusionistas" no Brasil e no mundo: “A história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. A frase, cunhada em 1852, permanece atual. Atualíssima. Só faltou Marx confessar que seriam seus próprios seguidores os maiores responsáveis por repetir tragédias em forma de farsas políticas, administrativas e morais - especialmente na América Latina.
Basta um clique no noticiário do dia ou uma busca rápida no Google para ver como a farsa se repete sangrando o erário e penalizando os mais pobres.
A pergunta que ecoa é: por que a esquerda - e o PT, em especial - tem tanta dificuldade em fazer uma gestão honesta? Por que, em vez de combater a corrupção, insiste em aperfeiçoá-la, refiná-la, institucionalizá-la e instrumentalizá-la?
O Partido dos Trabalhadores chegou ao poder dizendo que era diferente. Veio para mudar, para moralizar, para “governar para os pobres”. Mas no poder fez o oposto. Protagonizou escândalos históricos como o Mensalão, o Petrolão, e agora encena - com requintes de cinismo e crueldade - um novo mensalão travestido de “orçamento secreto” dentro do Ministério da Saúde.
Sim, o mesmo PT que prometeu combater o orçamento secreto, agora o recria com mais sofisticação e menos transparência, direcionando bilhões de reais para premiar deputados e senadores que obedecem cegamente ao governo. É o fisiologismo em sua forma mais pura. É o velho jogo do “toma lá, dá cá”, mas com dinheiro do SUS, da saúde pública, de quem mais precisa.
O esquema funciona assim: o governo Lula libera R$ 5 milhões para cada deputado e R$ 18 milhões para cada senador que reza pela cartilha do Planalto. Tudo feito às escondidas. Os parlamentares são instruídos a não deixar rastros. Os pedidos devem ser feitos via protocolo digital sem citar nomes. Nada de transparência. Nada de publicidade. Tudo sob o tapete.
Quem vota com o governo, é premiado. Quem vota contra, é punido com cortes de até 40% nos repasses, como é o caso de parlamentares que ousaram divergir nas votações sobre o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Isso não é política. É chantagem institucionalizada. É corrupção por outros meios. E é feito com o selo de autenticidade do mesmo partido que dizia combater “tudo isso que está aí”.
O que estamos assistindo é a completa inversão de valores. Um partido que deveria proteger os pobres retira recursos de programas sociais para agradar aliados políticos. Um governo que deveria investir no SUS usa verbas da saúde para comprar apoio parlamentar. E tudo isso sob a bênção da cúpula petista, com a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, controlando quem recebe e quem não recebe a bolada.
Onde está a ética? Onde está o compromisso com os mais vulneráveis? Onde está o PT que dizia ser a esperança do povo?
O orçamento secreto do PT tem cheiro de mensalão, forma de chantagem, e conteúdo de traição. Traição aos seus próprios princípios, aos seus eleitores e ao país. E como toda farsa, uma hora a cortina cai.
Talvez Marx não tenha previsto que seus discípulos, uma vez no poder, se tornariam mais apegados ao sistema do que os próprios burgueses que criticavam. Que seriam eles a transformar a tragédia do povo em instrumento para sua própria permanência no poder, sempre em nome de uma causa nobre, mas sempre a serviço de um projeto de poder.
A pergunta que fica é: quantas farsas ainda serão necessárias até o povo acordar de vez?
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