
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) a 10 anos de prisão por envolvimento em crimes de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. O hacker Walter Delgatti Neto, conhecido pela “Vaza Jato”, também foi condenado a 8 anos e 3 meses de reclusão. A decisão, tomada em julgamento virtual que segue até 16 de maio, ainda pode ser contestada com recursos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Zambelli de ter comandado a invasão aos sistemas do CNJ com o objetivo de forjar documentos, como mandados de prisão e alvarás de soltura falsamente atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes. O relator, Moraes, votou pela perda do mandato parlamentar da deputada e sua inelegibilidade por oito anos. A pena ainda inclui uma indenização de R$ 2 milhões, que será destinada a fundos do Ministério Público para reparar danos coletivos.
A investigação da Polícia Federal aponta que Zambelli teria pago cerca de R$ 40 mil a Delgatti para realizar as invasões em sistemas do Judiciário. Em depoimento à CPI dos Atos de 8 de Janeiro, o hacker reafirmou que a parlamentar fez o pedido diretamente e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria prometido anistia caso ele fosse punido. A defesa de Zambelli nega qualquer envolvimento, atribuindo ao hacker comportamento mitomaníaco.
Em nota oficial, Zambelli declarou ser alvo de perseguição política e alegou não haver provas que sustentem sua condenação. Afirmou manter a consciência tranquila e reafirmou sua inocência, criticando o que considera um ataque à sua postura ideológica e conservadora. Segundo a deputada, o processo ultrapassa os limites da Justiça e configura uma tentativa de silenciar sua atuação política.
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